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Lua Europa, na órbita de Júpiter, possui um oceano subterrâneo maior que os oceanos da Terra
A NASA quer criar uma máquina de perfuração com um reator nuclear para procurar indícios de vida extraterrestre no oceano subglacial de Europa, uma misteriosa lua de Júpiter.
Europa, um dos quatro maiores satélites de Júpiter, é um mundo oceânico cujas águas estão escondidas sob uma camada de gelo de vários quilômetros. Os cientistas acreditam que o oceano de Europa seja um dos possíveis refúgios de vida extraterrestre.
Os astrônomos descobriram que esse oceano troca gases e minerais com o gelo da superfície do satélite, onde há substâncias necessárias para a existência de micróbios.

Concepção artística da “toupeira nuclear” que poderia procurar vida na Europa, a lua de Júpiter
Essas descobertas forçaram o Congresso dos EUA a expandir significativamente o possível escopo da próxima missão da NASA — a estação interplanetária Europa Clipper.
Há dois anos, os parlamentares se ofereceram para enviar não um, mas dois veículos para Europa, um dos quais submergirá e procurará indícios de vida diretamente nas águas do satélite de Júpiter.
“Não sabemos a espessura exata da camada de gelo de Europa – estima-se que seja de dois a 30 quilômetros, e é um grande obstáculo para qualquer veículo”, explicou Andrew Dombard, pesquisador da Universidade de Illinois.
Dombard e seus colegas estão pensando na possibilidade de criar um aparelho leve e resistente que possa perfurar o gelo e atingir a borda superior do oceano de Europa. A proposta foi apresentada no dia 14 de dezembro na reunião anual da American Geophysical Union.
Conforme os cálculos dos cientistas, essa instalação pode ser criada apenas se for equipada com um reator nuclear ou uma fonte clássica de radioisótopo de calor e energia semelhante à do rover Curiosity e da sonda New Horizons.
O calor gerado pelo reator pode ser usado para acelerar a perfuração e recolher amostras de água oceânica de Europa. De acordo com Dombard, o dispositivo perfurará um túnel com 15 quilômetros e fará “excursões” nas águas da lua de Júpiter para procurar potenciais camadas e mantas de micróbios.
Mas há dois problemas apontados por geólogos: o alto nível de radiação de Europa, que está na fronteira entre o “escudo magnético” de Júpiter e do espaço exterior, e as dificuldades do funcionamento do sistema de comunicação.
Para comunicar com a Terra, a “toupeira nuclear” instalará um transmissor de rádio na superfície de Europa através de conexões com o uso de fibra ótica e diversos repetidores de sinal. A abordagem vai permitir que o módulo de pouso não apenas faça um mergulho direto na superfície oceânica, mas também escave vários túneis laterais.
Por enquanto, essa é ainda uma hipótese teórica, mas a NASA considera que a missão poderia ser enviada para Júpiter cerca de um ano após o lançamento da missão intergalática Europa Clipper, que deve acontecer em 2023.
As autoridades dos EUA ainda não aprovaram a versão final do projeto, mas já garantiram fundos substanciais para o seu desenvolvimento: quase 200 milhões de dólares.
Ciberia // ZAP