Paixão por futebol é semelhante ao “amor romântico”

Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

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A paixão pelo futebol causa nos torcedores reações semelhantes às que se sentem no “amor romântico”, concluiu um estudo desenvolvido durante três anos por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), em Portugal.

A paixão pelo futebol, como é sabido, “desperta emoções, por vezes irracionais, que atravessam a fronteira entre o amor tribal e o fanatismo”, afirma a UC em nota sobre a pesquisa pioneira que lança “alguma luz” sobre o assunto.

Essa tensão entre amor e fanatismo, que “implica simultaneamente o sentimento de pertencimento a um grupo e de rivalidade com outros grupos”, é o que “define o amor tribal”, sublinha a UC. A investigação foi realizada no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da universidade.

Os pesquisadores Catarina Quartet, Miguel Castelo-Branco e Ricardo Cayolla estudaram o cérebro de 56 torcedores, na sua maioria das claques oficiais da Acadêmica de Coimbra e do Futebol Clube do Porto, cujo nível de paixão foi avaliado através de pontuações de avaliação psicológica.

Os participantes na investigação, 54 homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre 21 e 60 anos, foram expostos a vídeos emocionalmente intensos, que poderiam ser positivos (gols com significados especiais, por exemplo), negativos ou neutros.

No estudo, publicado na SCAN – uma das revistas de neurociências das emoções mais prestigiadas a nível mundial –, foi observada “a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico”, afirma Miguel Castelo-Branco, coordenador da investigação.

“Em particular, os circuitos de memória emocional são mais recrutados pelas experiências positivas do que pelas negativas”, salienta Miguel Castelo-Branco, citado pela UC.

Isto significa que “a paixão tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos, como, por exemplo, de derrota com o rival, que tendem a ser suprimidos da memória emocional”, acrescenta Miguel Castelo-Branco.

O estudo coloca assim em destaque “os aspectos positivos desta forma de amor tribal e de que o cérebro dispõe de mecanismos para suprimir conteúdos negativos”, realça o especialista, notando que “o cérebro parece ter mecanismos de proteção contra memórias suscetíveis de levar ao ódio tribal”.

“Curiosamente, quanto maior a paixão pelo clube medida psicologicamente, maior é a atividade em certas regiões do cérebro associadas a emoções e recompensa, algumas semelhantes às envolvidas no amor romântico”, conclui o coordenador do estudo.

// ZAP

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