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Papa Francisco
O papa Francisco afirmou que deseja introduzir a condenação do uso e da posse de armas nucleares nos ensinamentos da Igreja. A declaração foi feita nesta terça-feira no voo de volta do Japão, onde o sumo pontífice visitou Hiroshima e Nagasaki, duas cidades vítimas da bomba atômica na II Guerra Mundial.
“Isso deve entrar no catecismo da Igreja Católica, não só o uso, mas também a posse” de armas nucleares, declarou papa Francisco durante a coletiva de imprensa que tradicionalmente realiza em seus voos.
O catecismo da Igreja Católica é o livro de ensinamentos oficial da instituição que estabelece os princípios da fé. Em 2018, Francisco inscreveu pela primeira vez no documento um texto de oposição categórica à pena de morte. Também pediu que todos se engajassem para abolir a medida em todo o mundo.
Em Hiroshima, o religioso argentino já havia classificado o uso da energia atômica com fins militares como “crime”. Também denunciou a lógica da dissuasão nuclear durante sua visita às duas emblemáticas cidades japonesas. “A loucura de um governo pode destruir a humanidade”, advertiu o papa, que se dirigiu em italiano aos cerca de 70 jornalistas que o acompanhavam.
O sumo pontífice disse que teme também um acidente nuclear porque, segundo ele, não existe até agora um sistema que garanta a total segurança da humanidade. “Minha opinião pessoal é que não se deve usar energia nuclear enquanto seu uso não for totalmente seguro”, acrescentou.
Francisco lamentou também que organizações internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, não tenham chegado a decisões para reduzir a quantidade de armamentos e evitar guerras. “Se há um problema com as armas e todos estão de acordo para resolvê-lo de modo a evitar um incidente belicoso, todos votam a favor do ‘sim’, mas se apenas um [país] com poder de veto diz ‘não’, tudo para”, explicou.
Durante a coletiva de imprensa, o papa ainda criticou claramente “a hipocrisia de quem produz armamentos”. “Há países cristãos ou ao menos de cultura cristã, como os países europeus (…), que falam de paz e vivem das armas. Isso se chama hipocrisia”, apontou. “Uma nação deve ter a coragem de dizer que não pode falar de paz porque sua economia está ganhando muito com a fabricação de armas”, reiterou.
// RFI