Pesquisadores não sabem quão perigosos são fungos encontrados vivendo em naves espaciais

NASA

A aventura humana pelo espaço está só começando – para falar a verdade, mal saímos do nosso quintal. Mesmo assim, os passos que estamos dando lá fora já estão causando mudanças no ambiente espacial.

Uma pesquisa acaba de descobrir que fungos potencialmente perigosos estão vivendo em estações espaciais e espaçonaves no momento, levados para lá provavelmente de carona no corpo dos astronautas. A questão é que não temos ideia se eles são prejudiciais para os seres humanos.

O estudo, publicado em 11 de abril na revista Astrobiology, faz um compilado do que os cientistas sabem (e não sabem) sobre as micotoxinas – compostos fúngicos que podem prejudicar os seres humanos – no espaço.

A Terra está repleta de seres microscópicos, como bactérias e fungos unicelulares. Portanto, não é de surpreender que esses companheiros constantes tenham conseguido pegar carona com os humanos a bordo da Estação Espacial Internacional e de outras naves espaciais.

Embora os cientistas tenham feito uma boa quantidade de pesquisas sobre bactérias no espaço, os fungos continuam relativamente pouco estudados. Parte da razão é que esses primos microbianos dos cogumelos normalmente causam problemas de saúde apenas em pessoas que vivem sob condições estressantes ou que têm sistemas imunológicos severamente comprometidos.

A questão é que estas condições estão presentes no espaço. O estresse prolongado do voo espacial mostrou afetar o sistema imunológico dos astronautas. Este fato fez com que uma equipe da Universidade de Ghent, na Bélgica, decidisse pesquisar como os fungos podem afetar a saúde dos astronautas.

Em uma revisão da literatura científica, o pouco que surgiu foi principalmente relacionado à detecção de diferentes espécies de fungos. As micotoxinas, entretanto, continuam um mistério. “Sobre as micotoxinas não encontramos quase nada”, disse Sarah de Saeger, cientista farmacêutica da Universidade de Ghent e co-autora do novo artigo, em entrevista ao portal Live Science.

Isso é problemático porque os fungos específicos que foram encontrados em naves espaciais, como o Aspergillus flavus e membros do gênero Alternaria, são conhecidos por produzir compostos carcinogênicos e imunodepressivos, disse ela, e essas moléculas geralmente se formam quando os fungos são estressados – se o espaço é um ambiente estressante para os seres humanos, também pode ser estressante para os fungos. Ela acrescenta que ainda não se sabe se os astronautas estão sendo afetados por essas toxinas.

O portal Daily Mail, em matéria a respeito do tema, usou o exemplo de uma mulher britânica que teve problemas com este mesmo tipo de ser vivo aqui na Terra. “Uma mulher britânica que viveu com ‘mofo preto’ em seu banheiro por um ano diz que a presença de micotoxina causou anos de exaustão, perda de memória e perda de cabelo. Emma Marshall, 29 anos, de Hackney, descreveu sintomas de ‘nevoeiro cerebral’, dores de cabeça e erupções cutâneas que tomaram conta e ‘sugaram a vida dela’.

Isto representa um problema para os futuros astronautas, uma vez que se sabe que as viagens espaciais de longa duração aumentam os níveis de estresse e diminuem a resposta imunitária dos astronautas.”

A equipe de De Saeger recomenda que as agências espaciais realizem um melhor trabalho na detecção e pesquisa de micotoxinas em espaçonaves. Eles sugerem que novos métodos devem ser desenvolvidos para monitorar as superfícies e atmosferas de espaçonaves. Atualmente, a maioria das detecções de fungos é feita enviando amostras de volta aos laboratórios da Terra, mas isso não será possível para missões de longa duração, como um voo tripulado para Marte.

De Saeger salientou que a presença de micotoxinas não significa necessariamente perigo para os astronautas. Aqui na Terra, as pessoas são frequentemente expostas a estes compostos, mas a sua contribuição específica para diferentes doenças nem sempre é fácil de rastrear. Por outro lado, ninguém sabe como os fungos podem crescer e evoluir no ambiente fechado de uma missão espacial duradoura.

“Acredito que a maior mensagem é que os fungos e as bactérias são parte integrante dos corpos humanos. Onde quer que vamos, fungos e bactérias seguirão”,salienta Adriana Blachowicz, que investigou fungos na Estação Espacial Internacional, mas não participou do estudo recente. As bactérias têm se mostrado mais virulentas no espaço, e por isso há alguma preocupação de que os fungos também possam ser, acrescenta.

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