(dr) Alex McClelland / Bournemouth University

Cientistas descobriram pegadas nos Estados Unidos que mostram que, há 11 mil anos, o ser humano caçava regularmente preguiças com quase 2,50 metros.
Uma equipe de cientistas do Reino Unido descobriu pegadas que provam que humanos antigos estiveram envolvidos em um confronto mortal com uma preguiça gigante, com mais de dois metros de altura.
Foram as pegadas fossilizadas nas salinas do Monumento Nacional de White Sands, nos Estados Unidos, que revelaram que os humanos perseguiram uma preguiça gigante, tendo-a confrontado depois com recurso a lanças que atiraram contra o animal.
“A história que podemos ler nas pegadas é que os humanos estavam seguindo-as, precisamente no encalce da preguiça”, disse Matthew Bennett, um dos cientistas que participou da descoberta, publicada na edição desta semana da Science Advances.
O estudo prova a perseguição que o ser humano pré-histórico fazia a esses gigantescos adversários. As preguiças gigantes viveram até cerca de 11 mil anos atrás, sendo que a maioria dos cientistas acredita que foi a caça excessiva que acabou por levar à sua extinção, sendo um dos alvos prediletos de caça da espécie humana.
Bennett, professor de ciências ambientais e geográficas da Universidade de Bournemouth, no sul da Inglaterra, explicou, citado pelo Público, que “enquanto alguém se ocupava por distrair a presa com algumas manobras, outra pessoa enfrentava o animal e tentava dar o golpe fatal”. “É uma história interessante e está tudo escrito nas pegadas“, comentou.
Os paleontólogos identificaram, no Monumento Nacional de White Sands, o que é conhecido como “círculos de agitação”, mostrando que a preguiça teria se levantando e se apoiado apenas nas suas patas traseiras, equilibrando-se com o balanço das patas dianteiras, em uma atitude defensiva.
Mas além de rastros humanos, há mais pistas encontradas em lugares mais distantes que permitiram aos cientistas concluir que os humanos trabalharam sempre em grupo, com uma equipe que distraía e desorientava o animal.
Os círculos de agitação estão associados à presença de pegadas humanas. Aliás, onde há pegadas humanas, as pistas de preguiça mostram evasão, com súbitas mudanças de direção.
(dr) Matthew Bennett / Universidade Bournemouth

Pegada humana dentro da trilha de uma preguiça gigante
As pegadas foram reveladas graças às novas técnicas de modelação tridimensional. O processo, desenvolvido por Bennett, consiste em recorrer a uma câmera digital para fotografar a pegada de 22 ângulos diferentes, permitindo depois que um algoritmo construa uma renderização 3D ultraprecisa da pegada.
“Essa prova nos mostra, pela primeira vez, como os seres humanos podem ter lidado com uma dessas grandes feras e o fato de isso estar sendo feito de forma rotineira é importante”, disse Bennett, acrescentando que “obter dois conjuntos de pegadas fósseis que interagem e que, assim, mostram a ecologia comportamental é muito, muito raro”.
No entanto, a questão que se põe quando se associa um ser humano a uma preguiça gigante se relaciona com o perigo. Citado pela revista portuguesa Sábado, o cientista admite que a luta com um animal desses vem, claramente, associada a “doses de risco“.
No entanto, “com isso poderemos começar a entender o porquê dos ataques e como eram feitos”. “Isso nos dá uma melhor percepção se nós temos o papel de culpados ou não na questão de extinção de espécies.”
Ciberia // ZAP