“Raios” azuis misteriosos podem ser mais comuns do que os cientistas pensavam

Entre os vários fenômenos climáticos que existem, os raios continuam enigmáticos para nós: embora tempestades não sejam tão raras, ainda não entendemos completamente as descargas elétricas geradas no céu — muito menos aquelas apelidadas de “emissões azuis”, que não duram mais que poucos milissegundos e ocorrem em direção à estratosfera.

Assim, em um novo estudo, pesquisadores liderados pelo físico Torsten Neubert, da Universidade Técnica da Dinamarca, apresentaram dados obtidos destes fenômenos com observações feitas na Estação Espacial Internacional (ISS).

Estes raios intrigantes foram registrados pela primeira vez na década de 1990, que foi quando pesquisadores notaram os rastros deles em um vídeo de um ônibus espacial feito um ano antes. Além disso, observá-los é difícil justamente por causa da camada de nuvens que bloqueia a nossa visão — um problema que não ocorre na ISS, que orbita nosso planeta a 400 km de altitude e, assim, os instrumentos lá podem aproveitar a visão privilegiada para acompanhar essas emissões.

Hoje, é considerado que as emissões azuis podem ocorrer quando a parte superior de uma nuvem carregada com cargas positivas encontra uma camada de energia negativa bem no limite entre a nuvem e a camada de ar acima dela. A descarga elétrica causada pelo encontro é chamada de “líder”, e forma um canal condutor de ar ionizado pelo qual o raio se desloca.

O problema é que ainda não entendemos bem como ocorrem os líderes dessas emissões azuis, e é aí que o estudo de Neubert e seus colegas entra: em 2019, o observatório Atmosphere-Space Interactions Monitor (ASIM), na ISS, registrou cinco emissões azuis no topo de uma nuvem de tempestade.

Uma delas produziu uma emissão azul que chegou a cerca de 50 km de altitude e, assim, alcançou a estratopausa, que é o limite existente entra a estratosfera e a ionosfera.

Ainda, o observatório registrou também a ocorrência de ELVES, fenômenos atmosféricos que aumentam anéis de emissões ópticas e ultravioleta na ionosfera acima de nuvens de tempestade, e que possivelmente são gerados por pulsos eletromagnéticos na ionosfera causados por descargas de raios.

Por outro lado, a emissão do líder de espectro vermelho foi fraca e limitada, talvez por ser curto demais em comparação àqueles que ocorrem a partir dos raios entre o solo e as nuvens.

Então, os cientistas acreditam que isso pode significar que o brilho e o jato de luz azul são tipos de fluxos de descarga elétrica: “propomos que os pulsos ultravioleta são ELVES gerados por correntes de luz ao invés das correntes dos raios”, colocam.

Assim, os flashes azulados no topo das nuvens são provavelmente a versão óptica de eventos nos quais as descargas de alta energia acontecem nas nuvens durante tempestades e, se considerarmos como os eventos bipolares são comuns, as emissões azuis podem também ser mais comuns do que se pensava — e entender o que há por trás delas é uma forma de compreendermos melhor os raios e outras interações, bem como suas complexidades.

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Governo italiano vende casas a 2 euros na região da Sicília

Mais uma vez o governo italiano está vendendo casas em áreas rurais da Itália, após o sucesso da campanha para repovoamento de áreas abandonadas. Além de promover a ocupação por meio de incentivos para jovens e …

Bolsonaro admite não ter provas de fraudes eleitorais

Em live para a qual convocou veículos de imprensa, Bolsonaro exibiu uma série de teorias falsas, cálculos equivocados e vídeos antigos, já verificados e desmentidos, mas que ainda circulam na internet, como supostas evidências de …

A incrível civilização antiga que mumificava os mortos 2 mil anos antes dos egípcios

"As mais antigas evidências arqueológicas conhecidas de mumificação artificial de corpos", segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), estão presentes na América do Sul, na costa árida …

Delta pode causar covid-19 mais grave, alerta agência americana

Documento interno do órgão de prevenção de doenças dos EUA indica que a variante delta do coronavírus é tão contagiosa quanto a catapora e pode ser transmitida mesmo por indivíduos vacinados. "A guerra mudou", diz …

Vendas de vacinas anticovid impulsionam lucros de laboratórios

A empresa farmacêutica AstraZeneca anunciou nesta quinta-feira (28) que as vendas de sua vacina contra a Covid-19 alcançaram US $ 1,17 bilhão no primeiro semestre do ano. Este número corresponde à entrega de aproximadamente …

Cientistas transformaram água pura em metal pela primeira vez

Cientistas transformaram, pela primeira vez, água pura em metal. A pesquisa poderia permitir um estudo detalhado das condições de extrema alta pressão dentro de grandes planetas. A água pura é um isolante quase perfeito. Sim, a …

Imagens do satélite Amazonia-1 já estão disponíveis — e qualquer um pode acessar

O Ministério da Ciência e Tecnologia comunicou, nesta semana, que as imagens do Amazonia-1 já podem ser acessadas pelo público. O satélite Amazonia-1 foi lançado em fevereiro de 2021 e, desde então, já avançou por etapas importantes, …

Alemanha acusa médico sírio de crimes contra a humanidade

Promotores federais da Alemanha acusaram nesta quarta-feira (28/07) um médico sírio de assassinato e crimes contra a humanidade. O suspeito enfrenta 18 acusações de tortura contra pacientes de hospitais militares nas cidades sírias de Homs e …

Suposto 'padrão' citado por Bolsonaro não indica fraude eleitoral; presidente admite não ter provas

O presidente Jair Bolsonaro usou sua live semanal desta quinta-feira (29/07) para fazer uma apresentação questionando a lisura das últimas eleições e apontando o que considera ser "fortíssimos indícios" de fraudes nas urnas eletrônicas. No entanto, …

Cientistas revelam novos dados sobre neandertais e denisovanos após analise sanguínea

Cientistas, que analisaram os genes de três neandertais e um denisovano, descobriram que ambas as espécies de pessoas ancestrais provêm da África. Os autores também encontraram uma ligação genética entre os neandertais e os aborígines …