Sismólogos chilenos e franceses acreditam que conseguiram prever onde vai acontecer o próximo grande terremoto, seguido de um tsunami devastador.
O Chile, palco habitual de sismos de grande magnitude, será o epicentro de um fenômeno que pode ter efeitos avassaladores, de acordo com os autores de um estudo publicado no Journal of Geophysical Research.
As previsões apontam que esse terremoto, e consequente tsunami, deverá acontecer nas proximidades da cidade de Santiago, capital do Chile, com epicentro em Valparaíso. Nesta cidade chilena ocorreu, em 22 de maio de 1960, o mais forte terremoto já registrado, desde que há registros sismográficos, com uma magnitude de 9.5.
Outro estudo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters se debruçou especialmente sobre o sismo que assolou o Chile em 2015, com magnitude de 8.3.
Sismólogos chilenos e franceses chegaram a conclusões semelhantes quanto aos riscos que as placas tectônicas sul-americana e de Nazca representam para futuros terremotos na região.
Padrão regular a cada 80 anos
Graças a simulações de vários terremotos hipotéticos, de diversas magnitudes e a profundidades distintas, na costa do Chile, os cientistas calcularam a inundação que um tsunami provocaria.
Essas conclusões foram comparadas com dados relativos ao terremoto de 1730, que foi seguido de tsunami, concluindo que teria tido “uma magnitude de 9.1 a 9.3 no mar central do Chile, rompendo a entre 600 a 800 quilômetros da crosta e causando seu desvio em entre 10 a 14 metros”.
Segundo pesquisadores citados pelo GeoSpace, blog da União Americana de Geofísica, o terremoto de 1730 no Chile teria causado tsunamis que provocaram danos tão extensos que chegaram ao Japão, destruindo edifícios ao longo de mais de mil quilômetros, nas zonas costeiras.
E a culpa desse evento devastador teria sido da placa tectônica de Nazca, que está constantemente a convergir por baixo da placa sul-americana. “Poderosos terremotos, na América do Sul, são resultado da submersão da placa de Nazca, por baixo do continente, a grande velocidade, a cerca de 80 milímetros por ano“, frisam os pesquisadores.
Metropolitan Museum of Art / Wikimedia

Debaixo da Onda de Kanagawa, ilustração de Katsushika Hokusai, 1823. O terramoto de 1730 no Chile teria causado tsunamis que provocaram danos tão extensos que chegaram ao Japão.
Todos os anos ocorrem terremotos causados pelo acúmulo de tensão tectônica nas zonas da América do Sul, Central e Norte, com as placas se friccionando umas nas outras. Essa libertação de energia provoca os tremores de terra.
Os cientistas identificaram “um padrão, de certa forma regular, de características de sismos com mais de 8 Mw, ocorrendo a cada 60 a 80 anos“.
Atualmente, o deslocamento da placa de Nazca é de oito centímetros por dia, o que provoca uma brecha de cerca de 4,5 metros que será compensada a cada 70 anos, provocando assim, fortes sismos.
Uma quietude preocupante
O grande problema e motivo de preocupação é que a área de ruptura tem estado muito quieta desde o grande sismo de 1730.
“Uma vez que o último terremoto da região envolveu pouco ou nenhum deslizamento a profundidades rasas, um futuro próximo terremoto, no Chile Metropolitano, pode libertar o deslizamento raso acumulado desde 1730 e assim, levar a uma forte tsunami”, explica Matías Carvajal, da Escola de Ciências do Mar da Universidade Católica Pontifícia de Valparaíso, no Chile, no Journal of Geophysical Research.
“A agitação moderada de um sismo raso pode atrasar a evacuação perante um tsunami, na zona costeira mais povoada do Chile”, onde vive cerca de um milhão de pessoas, acrescenta Carvajal.
“Rupturas sísmicas rasas ocorrem perto de fossas oceânicas, onde a profundidade do oceano é, habitualmente, maior do que em qualquer outro lado. Quanto mais funda a água sob a fonte da região, maior seria o tsunami“, explica ainda o pesquisador.
Matías Carvajal diz ainda que essa futura “grande ruptura de terremoto terá uma magnitude maior do que 9, com significativo deslizamento raso no norte e um deslizamento mais profundo no sul”.
Nos últimos dias, o Chile foi abalado por diversos terremotos ao longo do mês de abril, quando um dos sismos chegou a atingir os 6.9 de magnitude, não causando danos significativos.
O Chile é um dos países mais propensos do mundo a sofrer sismos e tsunamis.
// ZAP