Pouco depois da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen, em abril de 1945, Hetty Verolme, de 15 anos, deu uma entrevista à BBC. 70 anos depois voltou a fazê-lo.
70 anos depois, Hetty voltou ao local do antigo campo de concentração nazista para conversar novamente com a BBC. Hetty falou sobre os horrores que viveu e ouviu novamente a entrevista que deu dias depois de ganhar a liberdade.
“Se perdesse as esperanças, então morreria em dois dias. Acabamos nos habituando a coisas com as quais achamos que não podemos habituar. Estávamos sempre com fome, metade de uma fatia de pão pela manhã e outra metade à noite”, conta Herry.
Segundo a vítima do Holocausto, “90% das pessoas estava doente com febre de tifoide. Por isso, houve tantos mortos”. “No final, não víamos os cadáveres. Nem sentíamos seu cheiro. Éramos judeus, por isso fomos trazidos até aqui”, diz.
Hetty conta que a mãe foi retirada do convívio dela e dos irmãos. “Meus dois irmãos choravam muito e não queriam deixá-la. Mas tive que ser forte na frente deles”, recorda. “Sabíamos o significado de ficar vivos se houvesse perigo. Se pedíssemos para eles ficarem em silêncio, eles ficavam quietos. Eles não faziam um barulho sequer”, acrescenta.
A libertação do campo aconteceu em 15 de abril de 1945 pelos britânicos. “Ficamos muito felizes. Não podíamos acreditar. Eles disseram pelo alto-falante que íamos receber comida. E, no dia seguinte, nos entregaram chá com açúcar. E foi a coisa mais decente que tivemos em semanas”, diz.
“Tivemos muita sorte. Meu pai, minha mãe, meus irmãos e eu voltamos de três campos de concentração diferentes”. Hetty diz ficar “surpresa que muitos jovens não sabem o que é o Holocausto”.
“Às vezes, fico surpreendida por os jovens não saberem o que é o Holocausto – e temos que explicar. Quando não estiver aqui, espero que alguém lembre ao mundo que isso aconteceu, pois aconteceu mesmo“.
“Não importa se as coisas estão más ou pareçam sombrias, temos que acreditar que amanhã será um dia melhor”, conclui.
O Holocausto foi o homicídio em massa de cerca de 6 milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial, o maior genocídio do século XX, através de um programa sistemático de extermínio étnico patrocinado pelo Estado nazista liderado por Adolf Hitler.
Outras minorias, como gays, negros e ciganos, também foram alvos de perseguição e assassinadas.
Jamais se deve esquecer que muitos muçulmanos negam a existência do holocausto dizendo que tudo não passou de uma grande mentira, como por exemplo o psicopata ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.