
As “provas” de que os EUA ajudaram militantes a fugir eram afinal screenshots do jogo “AC-130 Gunship Simulator: Special Ops Squadron”
O Ministério da Defesa da Rússia acusou os EUA de ajudarem membros do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) a fugir da Síria, apresentando como “provas irrefutáveis” uma imagem falsa: a fotografia retirada de um videogame.
A acusação do Ministério da Defesa russo foi feita através das redes sociais, depois de a BBC ter divulgado uma reportagem que confirma que a coligação internacional, liderada pelos EUA e pelo Reino Unido, apoiou um acordo secreto que permitiu a fuga de centenas de terroristas de Raqqa, cidade síria que era a capital do Estado Islâmico.
Os russos publicaram várias imagens descritas como “provas irrefutáveis” de que os EUA estariam ajudando membros do EI a fugir da Síria. Só que eram imagens falsas.
As fotografias eram apresentadas como tendo sido registradas no terreno de operações, na cidade síria de Albu Kamal, no dia 9 de novembro, exibindo o que deveria ser um veículo com terroristas do EI a fugir, sob proteção dos EUA.
O Ministério da Defesa da Rússia acusava os EUA de dificultarem a intervenção militar russa na Síria, contra alvos do grupo terrorista, e de “usarem” o EI para “promover os interesses americanos no Oriente Médio”.
Mas, afinal, as imagens não tinham nada a ver com as alegações russas e uma delas era mesmo uma captura de tela de um jogo de computador – AC-130 Gunship Simulator: Special Ops Squadron.
As outras fotografias foram retiradas de vídeos divulgados pelo Exército iraquiano, no âmbito de bombardeios a forças do EI em Fallujah, em 2016, informa a CNN.
A fraude das imagens foi detectada por utilizadores das redes sociais, designadamente por um grupo de russos, intitulado “Conflict Intelligence Team”, que se dedica a analisar informações das Forças Armadas da Rússia.
A explicação oficial da Rússia é que um funcionário do Ministério da Defesa “anexou, por engano, as fotos erradas” às publicações feitas nas redes sociais, conforme cita a CNN.
Entretanto, a primeira publicação, com as imagens falsas, foi apagada. Mas as acusações russas foram republicadas nas redes sociais com novas fotos.
Nos EUA, um porta-voz do Departamento de Defesa, Adrian Rankine-Galloway, fala de um “comportamento particularmente decepcionante e inconsistente com o espírito do depoimento conjunto dos presidentes dos Estados Unidos e da Federação Russa de 11 de novembro”, segundo declaração divulgada pela CNN.
Ciberia // ZAP