Seis anos depois, arrancou o julgamento dos atentados de Paris

(cv) RTBF

Salah Abdeslam

O julgamento dos atentados de 13 de Novembro de 2015, em Paris, começou esta quarta-feira. O julgamento histórico acontece seis anos depois dos piores ataques terroristas cometidos em França que fizeram 130 mortos e centenas de feridos. Presentes nas audiências, estão 14 arguidos, nomeadamente Salah Abdeslam, o único sobrevivente do comando jihadista dessa noite.

É um julgamento histórico seis anos depois dos piores ataques terroristas realizados em França. Os atentados de 13 de Novembro de 2015 em Saint-Denis e em Paris fizeram 130 mortos e centenas de feridos. Dos bombistas suicidas no Stade de France, ao comando que atacou esplanadas de cafés e a sala de concertos Bataclan, o país volta a mergulhar no que aconteceu naquela noite. O comando dessa noite era composto por Salam Abdeslam, o único ainda vivo, Abdelhamid Abaaoud, Chakib Akrouh, Brahim Abdeslam, Foued Mohamed-Aggad, Ismaël Omar Mostefai, Samy Amimour, Ahmad Al Mohammad, Mohammad Al Mahmod e Bilal Hadfi.

O julgamento vai durar quase nove meses e estão previstas 145 dias de audiências até 25 de Maio de 2022, de acordo com o calendário provisório. Há 1.765 partes civis, de mais de vinte nacionalidades, das quais deverão prestar depoimento cerca de 300 pessoas, entre sobreviventes dos atentados e próximos das vítimas. Há, ainda, 330 advogados, e mais de uma centena de testemunhas vão ser chamadas à barra, nomeadamente o ex-Presidente francês François Hollande. Presentes estão também 141 órgãos de comunicação social, incluindo 58 internacionais.

Além da sala de audiências, há uma sala de 150 lugares com difusão vídeo para as partes civis e para os seus advogados, outra com uma lotação de 130 pessoas para a imprensa e dez outras para as partes civis para os dias em que a afluência seja maior. Se todas as salas estiveram preenchidas, há uma capacidade para acolher até 2.000 pessoas. Foi também criada uma rádio online para que as partes civis possam acompanhar as audiências à distância. O processo de instrução tem 542 volumes e um milhão de páginas.

Este é o julgamento com maiores dimensões na história de França, tanto pelo número de pessoas presentes quanto pela carga emocional e histórica e pela duração. As audiências vão ser filmadas para os arquivos internos da justiça, naquela que é a 13ª filmagem de um julgamento no país, depois de, nomeadamente, o dos atentados de Janeiro de 2015 ao semanário satírico Charlie Hebdo e ao supermercado Hyper Cacher.

Em tempos de pandemia e numa altura em que a ameaça terrorista se mantém elevada, foi construída uma sala de audiências com 550 lugares, no interior do histórico Palácio da Justiça, na Île de la Cité, em pleno coração de Paris. À volta, o tráfego automóvel e pedestre vai ser limitado, com avenidas totalmente fechadas e as entradas altamente controladas.

É, por isso, sob segurança máxima que um colectivo de juízes vai julgar 20 arguidos, nomeadamente Salah Abdeslam, o único elemento vivo dos que perpetraram os ataques de 13 de Novembro de 2015.

Seis arguidos estão ausentes. Ahmed Dahmani, suspeito de prestar apoio logístico à célula terrorista que preparou os atentados, está preso na Turquia desde 2016. Os outros cinco são alvo de mandados de captura, embora haja suspeitas que tenham morrido em bombardeamentos na Síria. Trata-se de Oussama Atar e Obeida Aref Dibo, acusados de terem dirigido os atentados terroristas, Fabien Clain e Jean-Michel Clain, autores da mensagem áudio a reivindicar os ataques, e Ahmad Alkhald (ou Omar Darif), cujo ADN foi encontrado em coletes de explosivos em Paris.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, pediu às autoridades “um alto nível de vigilância” no país durante o julgamento, especialmente junto a locais de culto, de ensino e de grandes concentrações, assim como junto dos locais dos atentados de 13 de Novembro. O ministro lembrou que durante o julgamento dos atentados ao Charlie Hebdo houve vários ataques, nomeadamente na antiga sede do semanário satírico e contra um professor que mostrou aos alunos caricaturas de Maomé.

// RFI

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