UE e Mercosul negociam para avançar em acordo antes da chegada de Bolsonaro

Agência Brasil

A União Europeia (UE) e o Mercosul iniciaram esta semana uma nova rodada de negociações com o objetivo de avançar o máximo possível nos assuntos pendentes para um acordo de associação antes que Jair Bolsonaro tome posse com o presidente do Brasil em janeiro.

As equipes negociadoras dos dois blocos se reuniram em Bruxelas para as conversas que durarão, como previsto, até a próxima sexta-feira (16). No entanto, fontes do bloco europeu explicaram à EFE que a rodada pode se alongar em função dos progressos obtidos.

A UE e o Mercosul negociam desde 2000, com grandes desafios, o acordo com base em três pilares: o diálogo político, a cooperação e o livre-comércio. No entanto, com a chegada à reta final das negociações, as partes tentam apressar o calendário para, se não conseguirem fechar o acordo, tê-lo o mais avançado possível antes da chegada de Jair Bolsonaro ao poder.

Durante uma reunião de ministros de comércio dos países da UE na sexta-feira passada, a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, deixou claro que o seu interlocutor no Brasil continua sendo o atual governo e que os europeus ainda “não sabem nada” do que será a presidência de Bolsonaro.

“No ano que vem veremos o que vai acontecer. Por isso, estamos tentando dar o último empurrão ou, pelo menos, um que seja grande o bastante para chegarmos verdadeiramente perto” do acordo, reconheceu a comissária europeia.

Malmström afirmou que os contatos entre UE e Mercosul “foram intensificados” nas últimas semanas, e que as partes estão “fazendo progressos”, mas ressaltou que “ainda há coisas a fazer”.

A presidência rotativa do Conselho da UE, por sua vez, alertou durante a reunião de ministros de comércio do bloco que os planos de Bolsonaro podem incluir “renegociar e reabrir” capítulos do tratado que já eram dados por fechados, a julgar pelos comentários que ele fez durante a campanha eleitoral.

“Do meu ponto de vista, não vamos ceder em nada que rebaixe os padrões da Europa, tanto em agricultura como em produtos industriais”, enfatizou a ministra de Economia da Áustria, Margarete Schramböck, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE neste semestre.

Além disso, fontes dos países do Mercosul também consideram complicado um acordo com Bolsonaro no poder.

Na semana passada, o ministro de Economia e Finanças do Uruguai, Danilo Astori, considerou “difícil” a consecução do tratado comercial por causa das diferenças internas nos blocos e pela “incerteza” sobre a postura do novo governo brasileiro.

Entre os assuntos sensíveis que ainda impossibilitam o fechamento do acordo estão as indicações geográficas, os setores automotivo e de laticínios e a oferta da UE de “acesso ao mercado de produtos”, segundo detalhou no mês passado o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, que adiantou na época que o Mercosul levaria novas propostas à UE.

Na rodada de negociações realizada em Montevidéu em setembro, as duas partes só conseguiram “progressos limitados” em alguns setores comerciais, como veículos e autopeças, certas indicações geográficas, laticínios e serviços marítimos.

Na parte europeia, o secretário de Estado francês para a Europa e Relações Exteriores, Jean-Baptiste Lemoyne, comentou na sexta-feira, antes do início da atual rodada de negociações, que seu país, que tem especial interesse em proteger sua produção agrícola, quer “um acordo equilibrado” que reconheça as indicações geográficas protegidas europeias e permita melhor acesso ao Mercosul.

“Por enquanto, não chegamos lá”, disse Lemoyne, que lembrou que Bolsonaro evocou “inclusive uma saída (do Brasil) do Mercosul”.

“Se não há um acordo equilibrado, não haverá acordo”, concluiu o representante francês.

Fontes da UE reiteraram para a EFE que o bloco “segue comprometido com uma conclusão bem-sucedida de um acordo ambicioso, equilibrado e mutuamente benéfico com o Mercosul, assim que estiverem presentes todos os elementos necessários”.

Ciberia // EFE

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