(cv) Estado Islâmico / YouTube

“Mensagem de Dabiq”, vídeo de propaganda do Estado Islâmico com a cidade de Dabiq no fundo.
Rebeldes sírios com o apoio da Turquia conseguiram retomar a cidade de Dabiq, no norte do país, que estava sob domínio do grupo autointitulado Estado Islâmico (EI), de acordo com informações de comandantes rebeldes.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos humanos, os “membros do EI se retiraram” da pequena cidade, que era muito importante para o grupo.
O avanço em Dabiq é parte de uma ofensiva maior dos grupos rebeldes sírios.
Ahmed Osman, o comandante do grupo rebelde Sultão Murad, disse neste domingo à agência de notícias Reuters que eles também recapturaram um vilarejo vizinho, Soran.
A batalha por Dabiq já era esperada há semanas, porque os rebeldes vinham recapturando uma série de vilarejos com o apoio de ataques aéreos de militares da Turquia.
A cidade parece ter sido retomada rapidamente, após o anúncio de um ataque final no sábado.
Apesar de toda a operação para retomar Dabiq, ela não tinha importância por causa de seu tamanho ou de sua população. O último levantamento do governo sírio, feito em 2004, informava que Dabiq tinha pouco mais de 3 mil habitantes.
Mas o lugar tinha um grande valor simbólico para o Estado Islâmico.
Dabiq fica a cerca de 10 quilômetros da fronteira com a Turquia e é citada nas profecias apocalípticas islâmicas como o ponto onde ocorreria uma batalha do fim dos tempos entre os muçulmanos e seus inimigos “romanos”.
O profeta Maomé teria afirmado que “a última hora não chegará” até que os muçulmanos derrotem os romanos em “Dabiq ou al-Amaq” (duas cidades na região da fronteira entre a Síria e a Turquia) a caminho da conquista de Constantinopla (Istambul).
E o Estado Islâmico estava tentando atrair o confronto para a região.
Propaganda
Mohammed Emwazi – que as autoridades acreditam ser o militante britânico conhecido como “Jihadi John”, responsável por matar cinco reféns de países ocidentais em 2014 – apareceu em um dos vídeos do EI com a cidade de Dabiq ao fundo e, a seus pés, a cabeça de Abdul-Rahman Kassig, um ex-militar americano.
“Aqui estamos, sepultando o primeiro cruzado americano em Dabiq, esperando ansiosamente pela chegada do resto dos seus Exércitos”, disse Emwazi no vídeo.
O EI desafiou várias vezes os países ocidentais a enviar uma operação terrestre para a Síria.
Ao fazer o vídeo mostrando a morte de Abdul-Rahman Kassig em Dabiq, o grupo parecia ansioso para cumprir a profecia e conquistar mais legitimidade junto a uma audiência maior.
O vídeo parece mostrar os militantes em uma colina no norte de Dabiq, perto do local onde, em outra gravação, três membros do grupo falam sobre a importância da cidade.
“Estamos esperando por vocês em Dabiq”, disse um deles se dirigindo às forças lideradas pelos Estados Unidos.
Referência antiga
Apesar de o Estado Islâmico usar estas referências e imagens apocalípticas desde 2014, quando capturou territórios na Síria e no Iraque, as menções à profecia de Dabiq foram citadas antes.
Depois que o grupo anunciou sua expansão saindo do Iraque e entrando na Síria, ainda em 2013 – antes de o EI ter tomado Dabiq dos rebeldes sírios em agosto de 2014 -, os vídeos do Estado Islâmico começaram a falar da profecia, sugerindo que a cidade já estava entre seus objetivos.
Muitos dos vídeos mostravam militantes em uma paisagem árida, ao som das palavras de Abu Musab al-Zarqawi, um militante jordaniano que fundou a Al-Qaeda no Iraque.
“A chama foi acesa aqui no Iraque e seu calor vai continuar a aumentar… até queimar os Exércitos dos Cruzados em Dabiq”, dizia Zarqawi. Ele foi morto por um ataque aéreo americano no Iraque em 2006.
// BBC