“Abandonados pelo resto do mundo”: África vacinou apenas cerca de 3% da população contra a Covid

As autoridades alertam para os baixos índices de vacinação contra a Covid-19 no continente africano. Segundo dados divulgados nesta terça-feira, cerca de 3,5% da população foi totalmente imunizada contra o coronavírus.

O balanço foi anunciado pelo diretor do centro africano de controle e prevenção de doenças (Africa CDC), John Nkengasong, durante uma coletiva de imprensa. Ele lembrou que o índice é bem inferior ao objetivo oficial de 60% almejado pelas autoridades.

Diante da situação, o enviado especial da União Africana (UA) para a Covid-19, Strive Masiyiwa, lançou um apelo para que os fabricantes facilitem a venda de imunizantes para a região, que conta com um nível de doações internacionais bem abaixo do esperado.

“Compartilhar as vacinas é uma boa coisa. Mas nós não deveríamos ter que contar com a doação de vacinas”, declarou Masiyiwa durante uma coletiva de imprensa na sede da Organização Mundial da Saúde, em Genebra. “Nós queremos comprar vacinas”, frisou.

Ele lembrou que a União Africana criou um Fundo africano para a aquisição de imunizantes (Avat), e que os fabricantes têm a “responsabilidade moral” de vender doses para os países da região. “Esses fabricantes sabem muito bem que nunca nos deram o acesso apropriado” às vacinas, desabafou.

Quebra de patentes e fim restrições de exportações

Masiyiwa também pediu à comunidade internacional que quebre as patentes sobre os imunizantes, mesmo se insistiu que o mais urgente agora é que os países suspendam as “restrições de exportações de vacinas de seus insumos”.

Segundo um balanço feito pela AFP a partir de dados oficiais, 9 doses de vacinas foram administradas para cada 100 habitantes na África, contra 118 nos Estados Unidos e Canadá, 104 na Europa, 85 na Ásia, 84 na América Latina e Caribe, 69 na Oceania e 54 no Oriente Médio.

Os países africanos “foram abandonados pelo resto do mundo”, resumiu o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. A entidade, que espera imunizar pelo menos 40% da população do continente até o final do ano, pediu novamente que os países ricos não lancem campanhas de terceira dose da vacina, como já é o caso em Israel e na França. Estados Unidos, Alemanha e Suécia também anunciaram que vão lançar uma campanha de aplicação de uma dose de reforço.

O diretor da OMS defende que a prioridade seja dada a uma distribuição das doses em todos os países, e não apenas nas nações mais ricas.

// RFI

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