Após pressão de Trump, Israel barra entrada de deputadas americanas

(dr) Nitika Gupta / Neighbors for Ilhan / Nicholas French Portraiture

Ilhan Omar se elegeu deputada estadual no estado de Minnesota.

O governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanhayu, anunciou nesta quinta-feira (15/08) que vai barrar a entrada no país de duas congressistas americanas, as democratas Ilhan Omar e Rashida Tlaib. O anúncio foi feito pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encorajar publicamente uma ação israelense nesse sentido.

Pela manhã, o republicano escreveu no Twitter que as deputadas – que são muçulmanas – “odeiam Israel e todo o povo judeu”. “Seria um sinal de grande fraqueza se Israel permitisse que Omar e Tlaib visitassem o país. (…) Elas são uma desgraça.”

Minutos após a publicação dos tuítes, a vice-ministra do Exterior israelense, Tzipi Hotovely, confirmou em entrevista a uma rádio local que o país decidiu não conceder vistos de entrada às deputadas. “Não vamos permitir a entrada de quem nega nosso direito de existir no mundo”, afirmou.

O Presidente dos EUA disse que permitir visita das muçulmanas Rashida Tlaib e Ilhan Omar seria sinal de fraqueza por parte do governo israelense, porque as congressistas “odeiam judeus”. Pouco depois, Israel anuncia veto.

 

 

Rashida Tlaib e Ilhan Omar são membros de um quarteto de congressistas progressistas do Partido Democrata que foi apelido de “o esquadrão”, e que vem chamando a atenção por suas posições bem à esquerda da legenda. Em julho, as duas, junto com Alexandria Ocasio-Cortez e Ayanna Pressley, foram alvo de uma série de ataques racistas por parte de Trump.

Tlaib, nascida em Detroit, é descendente de palestinos. Já Omar chegou aos EUA como refugiada ainda quando criança, após sua família fugir de conflitos na Somália. Ela é a primeira mulher negra muçulmana a se eleger para o Congresso americano.

Ocasio-Cortez, nascida em Nova York, é descendente de porto-riquenhos, e Pressley, de Cincinnati, é a primeira afro-americana a ser eleita por Massachusetts. Apenas Omar não nasceu nos EUA, mas é cidadã do país desde os anos 2000.

Em seus ataques anteriores, Trump sugeriu que as democratas deveriam deixar os Estados Unidos. “Essas congressistas e seus comentários estão ajudando a alimentar a ascensão de uma perigosa esquerda militante”, disse o republicano em julho.

“Tenho uma sugestão para as extremistas cheias de ódio que constantemente tentam dividir nosso país. Elas nunca têm nada de bom para dizer […] Sabe o quê? Se não amam [o país], diga a elas para deixá-lo.”

Na ocasião, ele também disse que elas “odeiam Israel com uma paixão sem limites“, em referência a Omar e Tlaib, que já se envolveram em algumas controvérsias relacionadas ao tradicional aliado dos Estados Unidos.

Ao anunciar a decisão de negar os vistos, o gabinete de Netanyahu afirmou que decidiu barrar as deputadas por causa da participação delas no movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções, conhecido pela sigla BDS, uma ação internacional para pressionar Israel a acabar com a ocupação da Cisjordânia, entre outras pautas. Uma lei israelense de 2017 prevê que promotores e apoiadores do BDS podem ser proibidos de entrar no país.

“Como uma democracia vibrante e livre, Israel está aberta a qualquer crítica, com uma exceção. A lei de Israel proíbe a entrada de pessoas que pedem e agem para boicotar Israel, como é o caso de outras democracias que impedem a entrada de pessoas que consideram prejudiciais ao país”, disse Netanyahu em comunicado.

Só que, em julho, o embaixador israelense nos Estados Unidos, Ron Dermer, havia dito que isso não pesaria na concessão dos vistos e que o governo israelense permitiria a entrada das congressistas, levando em conta as relações entre os dois países e o respeito pelo Congresso americano.

No mês passado, Omar apresentou ao Congresso uma resolução copatrocinada por Tlaib para deixar claro que boicotes são um direito constitucionalmente protegido pela liberdade de expressão. A resolução não mencionava especificamente Israel ou os palestinos, mas mencionava antigas sanções e boicotes contra a União Soviética, a África do Sul e a Alemanha nazista.

O itinerário da viagem de Rashida Tlaib e Ilhan Omar incluía uma visita ao complexo do Monte do Templo, área que Israel anexou há mais de 50 anos.

A decisão de banir a entrada das congressistas deve aprofundar as divergências entre os democratas em relação a Israel. Historicamente, o país conta com apoio bipartidário no Congresso americano.

O episódio também ocorre em um momento em que o apoio ao governo de direita de Netanyahu está diminuindo dentro do Partido Democrata. Recentemente, uma pesquisa indicou que 56% dos democratas apoiariam sanções econômicas contra Israel se o país continuar a expandir os assentamentos em território ocupado.

A decisão de barrar as deputadas também já provocou uma reação negativa entre os membros do partido.

“Israel não ajuda a sua posição como uma democracia tolerante ou um aliado inabalável dos EUA ao impedir que membros eleitos do Congresso visitem o país por causa de suas opiniões políticas”, escreveu no Twitter a senadora Elizabeth Warren, que é pré-candidata democrata à presidência.

Israel recebe regularmente delegações do Congresso americano. No início de agosto, 41 democratas e 31 republicanos participaram de uma visita ao país.

COMPARTILHAR

DEIXE UM COMENTÁRIO:

Cidade na Itália proíbe Google Maps porque pessoas 'se perdem' o tempo todo

Serviços de emergência de Baunei já tiveram que resgatar 144 perdidos em dois anos devido ao Google Maps. O prefeito da cidade italiana de Baunei, Salvatore Corrias, proibiu o uso do aplicativo de localização geográfica Google …

Emma Watson lança consultoria jurídica gratuita para mulheres assediadas no local de trabalho

A atriz Emma Watson acaba de lançar uma consultoria jurídica gratuita para mulheres que sofreram assédio no local de trabalho. O serviço está disponível na Inglaterra e no País de Gales. De acordo com o texto …

Polícia do Rio perdeu imagens que poderiam identificar assassinos de Marielle

A Polícia Civil do Rio de Janeiro perdeu imagens do carro dos suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco gravadas no dia do homicídio, em 14 de março de 2018. A informação foi publicada neste domingo …

Protestos se espalham pela Catalunha após condenação de separatistas

Manifestantes bloqueiam principal aeroporto de Barcelona, além de ruas e uma via férrea, após nove líderes catalães serem condenados pela tentativa de independência da região. Confrontos com a polícia deixam feridos. A condenação de nove líderes …

Erdogan revela objetivos da operação turca na Síria

Nesta terça-feira (15), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse que a operação militar no norte da Síria está progredindo com sucesso, tendo 1.000 km de território ao longo da fronteira sido libertados de terroristas. "Temos …

Cientista da NASA revela possível localização de vida extraterreste em Marte

Alfonso Davila, cientista da NASA, acredita que haja vida em Marte e afirma que a NASA elaborou um plano para realizar uma investigação do subsolo do planeta. O cientista também revela que há diversos desafios na …

Em contexto de tensão na Síria, diplomacia boicota jogo entre França e Turquia

A polícia reforçou suas equipes nos arredores do estádio. Já os responsáveis pela segurança dentro do Stade France passarão dos 1.200 habituais para 1.400 homens. Há temores de que torcedores turcos e militantes pró-curdos se enfrentem …

Enterros verdes: Paris inova e inaugura seu primeiro cemitério sustentável

O cemitério de Ivry-sur-Seine, no subúrbio de Paris, reservou uma área de 1.560 metros quadrados para enterros sustentáveis. A nova ala deverá ajudar a diminuir o impacto gerado pelos enterros tradicionais. A contaminação do solo e …

Microsoft quer levar internet a mais de 40 milhões de pessoas em 2022

A inicativa Airband, desenvolvida pela Microsoft, está sendo expandida com a meta de conectar mais de 40 milhões de pessoas à internet até julho de 2022. Lançado em 2017, o programa visa o aprimoramento da internet …

Abandonados, curdos encontram em inimigo dos EUA um aliado

Regime sírio, um aliado russo, desloca tropas para a fronteira em apoio a milícias curdas, que estão sendo atacadas pela Turquia desde que perderam apoio de Trump. Nova aliança representa reviravolta no conflito. As Forças Armadas …