Aquecimento e subida do nível do mar podem agravar inundações, diz ONU

Segundo relatório do IPCC, grandes investimentos e cortes drásticos das emissões são necessários para evitar desastres, à medida que glaciares se derretem e cidades afundam. “É preciso ação urgente e ambiciosa”, afirma.

Os oceanos estão se aquecendo, e os níveis do mar sobem cada vez mais rápido, gerando consequências desastrosas para os seres humanos e o planeta, adverte um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, divulgado nesta quarta-feira (25/09).

Os mais de 100 cientistas envolvidos no estudo constataram que o rápido aquecimento dos oceanos, das regiões polares e geleiras está exterminando cada vez mais a vida marinha e acelerando as mudanças climáticas.

Mesmo no melhor cenário de uma redução significativa das emissões de gases do efeito estufa, várias cidades costeiras e pequenos Estados sofrerão inundações extremas por volta de 2050, repetindo-se todos os anos. Até agora, isso só ocorria a cada 100 anos.

“Embora os oceanos e a criosfera [componentes congelados do sistema terrestre] pareçam estar longe da maioria, eles estão ligados a cada um de nós”, afirma Lijing Cheng, oceanógrafa da Academia Chinesa de Ciências e uma das principais autoras do estudo. “A conclusão central é que os dois grandes sistemas estão mudando, e muito rapidamente, já tendo sérios impactos sobre os seres humanos.”

Aproximadamente uma em cada dez pessoas vive numa região a menos de dez metros acima do nível do mar, e muitas já são afetadas por tempestades e inundações mais graves do que as vivenciadas por seus pais e avós.

Alguns autores do relatório advertiram em entrevistas que os efeitos do aquecimento também se projetarão terra adentro, reduzindo as reservas de alimentos e forçando as populações costeiras deixarem suas casas.

De acordo com o estudo, a subida do nível do mar gera tempestades mais fortes e a uma salinização crescente, por exemplo, do delta do rio Mekong, no sudeste asiático. Isso pode resultar em perdas de colheitas e aumento dos preços de alimentos em países sem acesso ao mar de outros continentes.

Ao mesmo tempo, o degelo do permafrost no Ártico e na Sibéria está bombeando cada vez mais o metano e dióxido de carbono para a atmosfera, acelerando ainda mais o aquecimento global e gerando um perigoso círculo vicioso. E projeta-se que um terço do gelo cordilheira do Hindu Kush, no Himalaia – cujos rios alimentam hoje quase 2 bilhões de pessoas –, terá desaparecido quando as crianças de hoje forem idosos.

Quando as geleiras derretem, a água doce flui inicialmente para os oceanos, inundando as cidades costeiras e ilhas de baixa altitude. Quando o gelo se esgota, os rios secam, podendo causar estiagem.

“A água é o elemento de conexão”, explica Zita Sebesvari, da Universidade das Nações Unidas, uma das principais autoras do relatório, especializada no significado da subida do nível do mar para as costas e ilhas. “O que acontece agora é a realocação de água em grande escala, da parte congelada do planeta para o oceano. E isso causa problemas em ambas as extremidades.”

Os oceanos, que absorveram a maior parte do calor excessivo do aquecimento global, reagem apenas lentamente às alterações climáticas. Isso também significa que as emissões do passado continuarão aquecendo os oceanos, mesmo que deixemos hoje de queimar combustíveis fósseis e de derrubar florestas.

“Como não podemos voltar com o clima ao seu estado original, temos que nos adaptar”, explica Hans-Otto Pörtner, climatólogo do Centro Helmholtz de Pesquisa Polar e Marinha, na Alemanha, e copresidente do grupo de trabalho que produziu o relatório. “Não há tempo para esperar.”

// DW

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