Ato no Rio de Janeiro lembra os seis anos do início da guerra na Síria

Tânia Rêgo / Agência Brasil

"Ato pela Paz" reune artistas e crianças refugiadas, no Cristo Redentor, nos seis anos de guerra na Síria

“Ato pela Paz” reune artistas e crianças refugiadas, no Cristo Redentor, nos seis anos de guerra na Síria

Um ato para lembrar os seis anos da guerra na Síria reuniu na manhã de hoje (15), no Cristo Redentor, representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), do governo brasileiro, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, artistas e famílias refugiadas que estão no Brasil.

Ao discursar, a representante da Acnur, Isabel Marquez, destacou a situação de tragédia humanitária no país asiático e pediu o empenho internacional contra o agravamento da crise de refugiados.

“O mundo vive uma crise de refugiados sem precedentes, pelo simples fato de que conflitos antigos coexistem com novas guerras, o que aumenta exponencialmente o número de pessoas que são forçadas a deixar suas casas” disse ela, que lamentou que os refugiados tenham se tornado uma questão política.

“Estamos em uma encruzilhada em relação à maneira como os refugiados são percebidos e como o mundo responde às suas necessidades. O mundo não pode mais virar as costas para a Síria nem levantar barreiras para quem precisa de ajuda humanitária”, acrescentou.

Desde o início da guerra na Síria, 6,3 milhões de pessoas deixaram suas casas e se deslocaram internamente no país e 4,9 milhões buscaram refúgio em nações vizinhas ou em outros continentes. O Brasil recebeu 2,5 mil refugiados sírios nesse período, o que corresponde a um quarto dos refugiados oficializados no país atualmente.

Cerca de metade dos refugiados sírios mundo afora são crianças e jovens e escaparam de um país em que mais de 2 milhões de crianças estão fora da escola e 6 milhões, necessitam de assistência humanitária.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) contabilizou até hoje mais de 320 mil mortos no país e uma pesquisa divulgada pela imprensa internacional no ano passado chegou a noticiar mais de 470 mil mortes, número que é comparável à população de cidades brasileiras médias como Caxias do Sul, Vila Velha ou Florianópolis.

“O trauma na Síria vai para além de suas fronteiras. O fluxo de refugiados tem contribuído para um clima de grande ansiedade que vemos hoje em muitos países do mundo. Se não resolvermos os problemas, eles vêm até nós”, alertou Isabel Marquez, que parabenizou o Brasil e a sociedade brasileira pela recepção aos refugiados.

O secretário Nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Gustavo Marrone, disse que ainda há muito desconhecimento em relação ao termo “refugiado” no Brasil porque, segundo ele, muitas pessoas o associam à prática de crimes de um estrangeiro em seu país de origem.

Com apenas 0,4% de sua população formada por imigrantes e um grande número de descendentes de diferentes nacionalidades, o Brasil é, na visão de Marrone, um país aberto a refugiados.

Evento

Atores, atrizes e cantores acompanharam a manifestação, em que crianças refugiadas do Coro Infantil Coração Jolie cantaram com Elba Ramalho, Tiago Iorc, Maria Gadú e Maria Luiza.

Famílias sírias acolhidas pela ONG I Know My Rights (Eu Conheço Meus Direitos) acompanharam a manifestação diante do monumento do Corcovado  e contaram suas histórias.

“Primeiro fomos para o Egito, mas não conseguimos os documentos e viemos para cá. Minha cidade na Síria foi a primeira a entrar em guerra”, conta Batul Alhalbaj, de 29 anos. Ela e o marido chegaram ao Brasil há dois anos e cinco meses com uma filha e tiveram mais dois filhos aqui.

Formada em enfermagem, ela lamenta ter dificuldade para conseguir trabalhar por causa do idioma. O marido, que é eletricista, aqui trabalha como garçom: “o grande problema para mim é a língua”.

Mãe de dois filhos, Tamador Faheraldeen, de 31 anos, também está desempregada. Ela e o marido deixaram a Síria para trás quatro meses depois de o conflito começar. “Saí da Síria porque tínhamos muito medo”, disse.

“Depois que a guerra começou, ficamos quatro meses, mas tivemos muito medo”, conta ela, que se sente bem recebida no Brasil. “Eu gosto de morar no Brasil. As pessoas têm um coração grande e ajudam muito a gente”, concluiu.

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