Cientistas não conseguem explicar misterioso sinal de rádio cósmico

Jimwmurphy / Wikimedia

Radiotelescópio do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA

Radiotelescópio do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA

Talvez você já tenha ouvido falar das rajadas rápidas de rádio, ou explosões rápidas de rádio (do termo original em inglês “fast radio bursts” ou FRB). Nós já detectamos 22 delas, mas ainda não temos a menor ideia do que são, o que significam ou de onde vieram.

A mais recente FRB registrada é a mais confusa já observada: depois de olhar para ela através da lente de 11 telescópios, os cientistas não estão nem perto de resolver o mistério.

“Nós passamos muito tempo em um monte de telescópios para encontrar qualquer coisa associada a ela. Temos novas janelas de comprimento de onda que nunca conseguimos antes, mas ainda estamos tentando descobrir de onde veio”, disse a principal autora do estudo, Emily Petroff, do Instituto Holandês de Radioastronomia, ao portal Gizmodo.

As rajadas rápidas de rádio são explosões de energia que duram milésimos de segundo, mas são um bilhão de vezes mais luminosas do que qualquer coisa já vista em nossa galáxia. Esses sinais misteriosos no universo já foram associados a tudo, desde micro-ondas a naves espaciais alienígenas.

Com apenas 22 FRBs confirmadas até a data, elas podem parecer raras, mas os cientistas pensam que são na verdade bastante comuns – cerca de 2 mil devem iluminar o espaço todos os dias.

A razão pela qual temos tanta dificuldade em encontrá-las é porque duram apenas cerca de 5 milissegundos, e até o início deste ano os cientistas nem sequer eram capazes de confirmar que vinham do espaço, e não da Terra.

FRB 150215

O novo estudo descreve uma explosão chamada FRB 150215, detectada em tempo real pelo radiotelescópio Parkes, na Austrália, em 15 de fevereiro de 2015.

Ela foi considerada estranha porque, ao contrário de qualquer outra FRB detectada até a data, Petroff e sua equipe foram incapazes de identificar qualquer sinal ou vestígio de luz deixada para trás, apesar de terem a observado através de vários telescópios em todo o mundo.

“A explosão foi acompanhada por 11 telescópios para procurar por sinais de rádio, ópticos, raios-X, raios gama e emissão de neutrinos. Nenhuma emissão transitória nem variável foi encontrada que fosse associada à explosão, e nenhum pulso de repetição foi notado em 17.25 horas de observação”, escreveram os pesquisadores.

Como é que algo que gera tanta energia quanto 500 milhões de sóis não têm nenhum pós-brilho?

Em busca de mais pistas

A segunda razão pela qual FRB 150215 é estranha é que não deveria ter sido detectável a partir da Terra, dada a direção densa no espaço da qual estava vindo. Petroff mediu a polarização de FRB 150215, e um aspecto dessa medição – uma quantidade chamada de “medida rotacional” – mostrou à equipe por onde o sinal passou.

Em uma área tão densa do espaço, os cientistas estavam esperando muita interferência magnética e, portanto, uma alta medida rotacional, mas o oposto ocorreu. Os pesquisadores tiveram muita sorte, porque a rajada passou por algum tipo de “buraco” na Via Láctea que também tinha uma medida rotacional de zero.

A chave para desvendar o mistério das FRBs parece ser o tamanho da amostra. Por enquanto, só vimos 22 delas, e os cientistas vão precisar de muito mais para descobrir de onde elas vêm.

É preciso notar também que o trabalho recente ainda não foi revisto por pares, de modo que as interpretações dos dados podem mudar à medida que mais pesquisadores os analisem. Ou ficar ainda mais estranhas.

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