(dr) Scripps Research

Cientistas da China e dos Estados Unidos criaram uma bactéria sintética cujas características se parecem com as dos ancestrais das mitocôndrias, as “centrais de energia” das células.
Os eucariotas são todos os seres vivos – humanos, animais, fungos e plantas – com células eucarióticas que têm um núcleo complexo cercado por vários organelos, diferenciando-se dos organismos unicelulares procariontes. Os cientistas acreditam que os eucariotas apareceram quando seus ancestrais “assimilaram” várias bactérias e arqueias.
As mitocôndrias são uma boa ilustração desse processo, isto porque possuem uma membrana dupla que as separa do resto da célula, o próprio DNA e o sistema de síntese de proteínas.
Atualmente, acredita-se que a “assimilação” de mitocôndrias foi um passo-chave na evolução dos “nossos ancestrais” unicelulares e aconteceu nas primeiras etapas desse processo.
Peter Schultz, um dos autores do estudo publicado recentemente nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), e sua equipe criaram o primeiro “instrumento” que permite verificar essa teoria e entender de que forma as bactérias conseguiram penetrar e sobreviver dentro das células dos nossos ancestrais. Para isso, os cientistas transformaram radicalmente o DNA de uma bactéria bacilar.
Posteriormente, os especialistas inseriram essas bactérias em células de leveduras com mitocôndrias danificadas por um processo semelhante. Como mostrou a experiência, o aparecimento de micróbios dentro das células de leveduras fez com que as últimas ressuscitassem e permitiu iniciar um ciclo de multiplicação, levando consigo parte das novas “mitocôndrias”.
“Os organismos sintéticos permitirão verificar duas teorias-chave sobre as etapas mais importantes da evolução de vida – a transição do RNA (ácido ribonucleico) para o DNA e a transição das células procariontes para eucariotas com mitocôndrias”, comentou o Schultz.
No futuro, os cientistas planejam mudar o genoma da bactéria bacilar para que seja ainda mais parecido com mitocôndrias reais. Com a nova experiência, acredita Schultz e a equipe, será possível entender quando e como os ancestrais das bactérias começaram a usar essa simbiose.