Andrea Fasani / EPA

As vacinas atualmente disponíveis e aprovadas são, até o momento, eficazes contra “todas as variantes do coronavírus”. É o que afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS) em uma declaração dada nesta quinta-feira (20). O órgão fez um apelo para que os governos e as pessoas continuem prudentes e respeitem as medidas de proteção, principalmente na Europa, onde há uma flexiblização generalizada do lockdown
Apesar da melhora da situação sanitária na Europa, a Covid-19 ainda não permite retomar de maneira segura as viagens internacionais por “uma ameaça persistente e por novas incertezas”, advertiu o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge.
“É uma ameaça imprevisível“, afirmou Catherine Smallwood, responsável pelas situações de urgência da OMS na Europa. “A pandemia não terminou”, frisou.
Segundo dados da instituição, no conjunto da região (que corresponde até uma parte da Ásia Central), o número de novos casos caiu 60% em um mês, passando de 1,7 milhão em meados de abril para 685.000 na semana passada.
“Estamos na direção certa, mas temos de nos manter vigilantes (…) O aumento da mobilidade, das interações físicas e das reuniões pode levar a um aumento da transmissão na Europa”, insistiu o diretor regional, lembrando que as viagens essenciais permanecem autorizadas.
A flexibilização das medidas, lembra a OMS, deve ser acompanhada de medidas sociais, como a depistagem, a identificação das cepas e a vacinação. “Não há risco zero”, diz Kluge. “As vacinas talvez sejam uma luz no fim do túnel, mas não podemos nos deixar cegar por essa luz” , acrescentou.
Pelo menos 33,1% da população europeia foi vacinada, e 13,7% receberam as duas doses.
“A pandemia não acabou”
“A pandemia não acabou e é uma ameaça incerta“, declarou Smallwood. As mutações são normais e geralmente benignas, frisa, mas as variantes podem se tornar perigosas se modificam o comportamento do vírus.
“Devemos acompanhar essa evolução de perto, acompanhando a progressão das variantes dentro das populações e tomando as medidas apropriadas para contê-las e controlá-las”, declarou a representante da organização.
“Essa é a chave para evitar que elas se tornem incontroláveis”, escreve a OMS, lembrando que medidas locais de lockdown poderiam ser decididas em caso de alta das contaminações.
Pfizer e Moderna eficazes contra variante indiana
Na segunda-feira (17), um estudo preliminar, conduzido por pesquisadores da NYU Grossman School of Medicine e do NYU Langone Center, mostrou que as vacinas contra a Covid da Pfizer e da Moderna seriam altamente eficazes contra duas variantes do coronavírus identificadas pela primeira vez na Índia.
“O que descobrimos é que os anticorpos da vacina são ligeiramente mais fracos contra as variantes mas não o suficiente para pensar que afetam a proteção das vacinas”, disse Nathaniel Landau, um dos autores.
Os pesquisadores coletaram amostras de sangue de quem recebeu qualquer uma dessas vacinas, que são predominantes nos Estados Unidos e foram administradas para mais de 150 milhões de pessoas.
As amostras foram então expostas em laboratório a partículas de pseudovírus manipuladas na área do “pico” do coronavírus, que continha mutações das cepas B.1.617 ou B.1.618, encontradas pela primeira vez na Índia. No entanto, esse tipo de pesquisa de laboratório não pode prever a eficácia no mundo real. Isso deve ser determinado em outros estudos.
Em células humanas, o coronavírus tem como alvo um receptor específico chamado ACE2, que ele utiliza para se “acoplar” à célula.
A equipe de Landau mostrou que as variantes indianas se conectam mais facilmente a esse receptor, o que também é o caso de outras variantes. Isso pode estar relacionado à sua maior transmissibilidade em comparação com a do vírus original.
“Nossos resultados nos permitem ter certeza de que as vacinas atuais protegem contra as variantes identificadas até agora”, concluiu a equipe. No entanto, isso não exclui o surgimento de novas cepas resistentes, o que mostra a importância da vacinação generalizada em todo o mundo.
// RFI