Dentes com 9,7 milhões de anos podem mudar a história da Humanidade

carlos_lorenzo / Flickr

Lucy, uma Australopithecus Afarensis que viveu há 3 milhões de anos

Uma equipe de arqueólogos descobriu, na Alemanha, fósseis de dentes com 9,7 milhões de anos, pertencentes a um grande primata, que podem mudar o que sabemos sobre a história da Humanidade.

Estes fósseis foram encontrados no antigo leito do rio Reno, na cidade de Eppelsheim, perto de Mainz, na Alemanha ocidental. Aquilo que é surpreendente nestes dentes de um grande primata é que são, pelo menos, quatro milhões de anos mais velhos que os dos primeiros hominídeos que foram encontrados em esqueletos na Etiópia.

A descoberta coloca em causa a tese científica mais aceita de que os hominídeos, os antepassados dos humanos, deixaram a África há cerca de 120 mil anos.

Recentemente, a descoberta de fósseis de uma nova espécie, familiar de primatas e de humanos, que datam de há 7,2 milhões de anos, também anunciou a hipótese de que o berço da humanidade não foi a África, mas a Europa.

O conjunto de dentes – um primeiro molar superior direito e um canino superior esquerdo – foi encontrado em 2016, ao lado dos vestígios de um animal semelhante a um cavalo, já extinto. Mas os cientistas ficaram tão espantados com a descoberta que adiaram a publicação do estudo durante um ano, para realizarem mais exames científicos.

Natural History Museum Mainz

Dentes com 9,7 milhões de anos

“Não estávamos à espera desta tremenda descoberta”, salienta o diretor do Museu de História Natural de Mainz e líder das escavações, Herbert Lutz, em declarações ao Deutsche Welle.

A pesquisa foi, finalmente, publicada neste mês de outubro no site ResearchGate. E não há dúvidas de que estamos perante dentes de primatas, mas ninguém sabe explicar de onde este grande macaco veio.

Lutz lembra que só há descobertas comparáveis na África e que elas são “muito, muito mais novas”. O arqueólogo se refere aos primeiros hominídeos que foram encontrados em esqueletos na Etiópia, conhecidos por Lucy (Australopithecus afarensis) e Ardi (Ardipithecus ramidus).

Os dentes descobertos na Alemanha se parecem com os de Ardi e Lucy, “mas têm apenas 2, 3, 4 ou 5 milhões de anos, o de Eppelsheim tem quase 10”, frisa Lutz. “Por isso, a pergunta é: o que aconteceu?“.

Para os mais entusiasmados com a descoberta, como é o caso do prefeito de Mainz, Michael Ebling, já chegou a hora de “começar a reescrever a história da Humanidade”.

Lutz é mais cauteloso. “Novas descobertas levam a novas ideias que podem contribuir para o conhecimento sobre a nossa própria história e esta descoberta tem esse potencial, porque as grandes espécies de primatas têm uma relação com o Homo Sapiens“, aponta.

O diretor do Museu de História Natural de Mainz também explica ao DW que os fósseis, que podem assumir papel de destaque na história da Humanidade, foram encontrados em uma época em que as escavações estavam prestes a terminar, após 17 anos de pesquisas na zona.

Assim, foi “um tremendo golpe de sorte” e é, agora, “um grande mistério”, conclui o arqueólogo.

SV, Ciberia // ZAP

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