Estudo revela ligação entre grandes terremotos na Itália e emissões ocultas de CO2

Jorge Nunez / EPA

Após um terremoto em 2009, foi conduzido um estudo no país europeu até 2018, que descobriu que centenas de milhares de toneladas de dióxido de carbono saíram para a atmosfera como resultado do tremor.

Cientistas do Instituto Nacional Italiano de Geofísica e Vulcanologia descobriram que os terremotos na Itália estão ligados a emissões de dióxido de carbono (CO2), noticiou o portal Science Alert.

Tudo começou quando um terremoto atingiu a cidade montanhosa italiana de L’Aquila em abril de 2009. Em seguida, pesquisadores da instituição começaram medindo o dióxido de carbono que estava borbulhando nas nascentes próximas, esperando detectar que processos terrestres, que não das placas tectônica, poderiam ter desencadeado o choque sísmico. O processo levou anos e foi concluído em 2018. Nesse período ocorreram mais dois terremotos significativos.

Os cientistas compararam os pulsos de gás CO2 dissolvido que se originaram no subsolo profundo de dois aquíferos de água cerca de dez a 15 quilômetros abaixo do solo, que se alimentam de nascentes superficiais, com os registros de atividade sísmica.

Segundo descobriram os autores do estudo publicado na revista científica Science Advances, houve 1,8 milhão de toneladas de dióxido de carbono lançado à superfície, o equivalente à quantidade de carbono emitido por 350.000 carros em um ano.

“Os terremotos dos Apeninos na última década estão claramente associados à subida de CO2 profundamente derivado”, afirmaram os autores em comunicado de imprensa, acrescentando que há correlação positiva entre as emissões do gás e os períodos de atividade sísmica.

Os cientistas apontaram que este método pode ser utilizado em investigações futuras, tendo em conta as preocupações com a poluição atmosférica global. “A análise das águas subterrâneas torna possível investigar áreas relativamente grandes e processos tectônicos relacionados em escala regional”, comentam.

“O estudo de águas subterrâneas em áreas tectonicamente ativas seria uma ferramenta poderosa para estimar melhor o orçamento global das emissões tectônicas de dióxido de carbono para a atmosfera”, afirmaram os pesquisadores.

As expulsões de CO2 foram anteriormente medidas nos Apeninos e em alguns pontos ao longo da fenda do leste africano, que vai da Etiópia até Moçambique, mas esta é a primeira vez que é revelada a ligação entre terremotos e o dióxido de carbono fluindo através de nascentes e respiradouros ao longo do tempo.

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