Os extraterrestres vão ter que “roubar” estrelas para escapar da extinção

ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), J. Bally / H. Drass et al.

A expansão permanente do Universo pode esgotar a energia de uma dada região espacial. A partir dessa ideia, um astrofísico norte-americano apresentou uma nova teoria: as civilizações avançadas do futuro poderiam ter que “roubar” estrelas de outras galáxias para ter acesso à energia.

Durante a década de 1930, os astrônomos perceberam que o Universo está em constante expansão. Em 1990, notaram que a taxa de expansão tem acelerado, originando a teoria da “Energia Escura”.

Por esses motivos, estima-se que nos próximos 100 bilhões de anos, as estrelas do Grupo Local – parte do Universo que inclui 54 galáxias, entre as quais a Via Láctea – vão se expandir para além do horizonte cósmico.

Nesse momento, as estrelas não serão observáveis, mas inacessíveis. Ou seja, nenhuma civilização, por mais avançada que seja, será capaz de aproveitar sua energia.

Tendo em conta o fenômeno da expansão do Universo, Dan Hooper – um astrofísico do Laboratório Nacional de Aceleradores Fermi (FNAL) e da Universidade de Chicago, nos EUA, – conduziu recentemente um estudo no qual sugeriu que uma civilização suficientemente avançada poderia “roubar” essas estrelas, impedindo que se expandissem para fora do espaço cósmico.

No estudo, intitulado Vida vs energia escura: como uma civilização avançada poderia resistir à expansão do Universo e disponibilizado em pré-publicação no dia 20 no ARVIX, Hooper considera que as civilizações poderiam reverter o processo de expansão cósmica. Ele sugere ainda formas de a Humanidade procurar sinais destas civilizações.

Teoria da Energia Escura

De forma simplificada, a teoria da Energia Escura diz que o espaço é preenchido por uma misteriosa força invisível que neutraliza a gravidade, fazendo com que o Universo se expanda a um ritmo acelerado.

A teoria surgiu com a Constante Cosmológica de Einstein, um termo que o físico acrescentou à sua teoria da Relatividade Geral para explicar como o Universo poderia permanecer estático, em vez de entrar em um estado de expansão ou contração.

Embora Einstein estivesse errado, foi graças às suas observações que mostraram que o Universo está em expansão, que os cientistas reviram o conceito para explicar de que forma essa expansão cósmica tem ocorrido nos últimos bilhões de anos.

De acordo com o estudo, o único problema da teoria é que a energia escura acabará se tornando dominante, aumentando de forma exponencial a expansão cósmica.

O espaço vai continuar se expandindo até o ponto em que todas as estrelas estarão tão distantes que nem as espécies mais inteligentes serão capazes de vê-las – muito menos explorá-las ou aproveitar sua energia.

“Os cosmólogos aprenderam nos últimos 20 anos que o Universo tem se expandido a um ritmo acelerado. Isso significa que nos próximos 100 bilhões de anos, a maioria das estrelas e galáxias que vemos no céu desaparecerão para sempre, caindo em qualquer região do espaço impossível de alcançar”, disse Hooper em declarações ao Universe Today.

O astrofísico disse ainda que “o fenômeno limitará a capacidade de uma civilização avançada do futuro distante recolher energia, limitando assim inúmeras coisas que queiram realizar”.

Civilizações avançadas do futuro

Hooper, além de ser o líder do FNAL é também professor associado no Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Chicago, estando, por isso, bastante familiarizado com as grandes questões de inteligência extraterrestre (ETI) e como a evolução cósmica afetaria as espécies inteligentes.

Para compreender como as civilizações avançadas viveriam nesse Universo, Hooper assume que as civilizações teriam de ser do Tipo III na escala de Kardashev. Na escala, em homenagem o astrofísico russo Nikolai Kardashev, uma civilização de tipo II teria proporções galáticas, sendo capaz de controlar a energia numa escala também galática.

“No meu artigo, sugiro que a reação racional a este problema seria a rápida expansão da civilização, capturando estrelas e transportando-as para a civilização central, onde poderiam ser utilizadas. Estas estrelas poderia ser transportadas através do uso da energia que as próprias produzem”, explicou.

Hooper admite que a conclusão é baseada em dois pressupostos: primeiro, que uma civilização altamente avançada tentará maximizar seu acesso à energia utilizável; segundo, que a nossa compreensão atual sobre a energia escura e a futura expansão do Universo está próxima da verdade.

Segundo o astrofísico, as estrelas com massas entre 0,2 e 1 massas solares seriam os alvos mais atraentes para a colheita, uma vez que é provável que as estrelas de maior massa evoluam para além da sequência principal antes de chegarem ao destino da civilização central.

Além disso, as estrelas com massa baixa não seriam capazes de gerar energia suficiente – e, portanto, aceleração – para evitarem cair além do horizonte.

Além de explicar como uma civilização suficientemente avançada poderia sobreviver à aceleração cósmica, o estudo fornece também novas possibilidades na procura de inteligência extraterrestre.

“Uma civilização avançada desse tipo alteraria a distribuição de estrelas sobre regiões do espaço com dezenas de milhões de anos de extensão e, provavelmente, produziria outros sinais como resultado da propulsão estelar“.

Sinteticamente, a teoria não só dá uma solução para que as espécies avançadas possam sobreviver à expansão cósmica, como também oferece novas possibilidades na busca de inteligência extraterrestre.

Com os instrumentos da próxima geração, com cada vez maior resolução, de olhos no Universo, talvez devêssemos prestar mais atenção às estrelas hipervelozes que estão sendo transportadas para a mesma região do espaço.

Ciberia // Sputnik / ZAP

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