A relatora especial da ONU, Victoria Tauli-Corpuz, afirmou que “o índice de encarceramento dos aborígenes australianos atingiu a proporção de um tsunami”. Tauli-Corpuz, que é especialista sobre os direitos humanos dos Povos Indígenas, fez a declaração ao final de sua visita à Austrália.
Ela disse que “enquanto os aborígenes representam apenas 3% da população do país, eles constituem 27% da população carcerária”.
Segundo a relatora, “a situação dos jovens e das crianças dessas comunidades é preocupante”. Victoria afirmou que na Casa de Detenção para jovens na província de Queensland, 85% das crianças e jovens detidos são de comunidade aborígenes e do Estreito de Torres.
A relatora afirmou que essas crianças estão basicamente sendo punidas por serem pobres e, na maioria dos casos, a prisão simplesmente agrava o ciclo de violência, pobreza e crime.
Último recurso
Para Victoria, um dos elementos mais perturbadores de sua visita foram encontros que manteve com crianças detidas, algumas de apenas 12 anos. Ela já recomendou o caso à Comissão da ONU sobre os Direitos da Criança e pediu às autoridades australianas que elevem a idade de “responsabilidade criminal” no país.
A relatora afirmou ainda que “as crianças só devem ser detidas em último recurso”.
// Rádio ONU