Inteligência artificial já consegue “ler” palavras diretamente das ondas cerebrais

Os neurocientistas estão ensinando computadores a ler palavras diretamente das ondas cerebrais das pessoas.

Kelly Servick relatou esta semana três trabalhos publicados, no qual três equipes de pesquisadores demonstraram que poderiam decodificar a fala de gravações de neurônios.

Em cada estudo, os eletrodos colocados diretamente no cérebro registravam a atividade neural, enquanto os pacientes de cirurgia cerebral ouviam a fala ou liam palavras em voz alta. Então, os pesquisadores tentaram descobrir o que os pacientes estavam ouvindo ou dizendo. Em cada caso, os cientistas conseguiram converter a atividade elétrica do cérebro em arquivos de som.

O primeiro artigo descreve uma experiência na qual os cientistas faziam gravações da fala para pacientes com epilepsia que passavam por uma cirurgia do cérebro. As gravações neurais tiveram que ser muito detalhadas para serem interpretadas. Esse nível de detalhes está disponível apenas nas raras circunstâncias em que um cérebro é exposto ao ar e eletrodos são colocados diretamente nele, como em cirurgias cerebrais.

Enquanto os pacientes ouviam os arquivos de som, os cientistas registraram os neurônios disparando nas partes do cérebro dos pacientes que processam o som. Os pesquisadores tentaram vários métodos diferentes para transformar os dados em discurso e, quando tocaram os resultados através de um vocoder, que sintetiza vozes humanas, para um grupo de 11 ouvintes, os indivíduos interpretaram corretamente 75% das palavras.

O segundo artigo se baseou em gravações neurais de pessoas submetidas a cirurgia para remover tumores cerebrais. Quando os pacientes leram em voz alta palavras – monossílabos –, os pesquisadores registraram os sons que saíam das bocas dos participantes e os neurônios disparando nas regiões produtoras de fala dos cérebros.

Os cientistas ensinaram uma rede neural artificial a converter as gravações neurais em áudio, mostrando que os resultados eram pelo menos razoavelmente inteligíveis e semelhantes às gravações feitas pelos microfones.

O terceiro artigo contou com a gravação da parte do cérebro que converte palavras específicas que uma pessoa diz em movimentos musculares. Os pesquisadores relataram que reconstruíram frases inteiras e que as pessoas que ouviram as interpretaram corretamente 83% das vezes. O método da experiência dependia da identificação dos padrões envolvidos na produção de sílabas individuais, em vez de palavras inteiras.

O objetivo em todos esses estudos é, um dia, tornar possível que pessoas que perderam a capacidade de falar, possam falar através de uma interface do computador para o cérebro. No entanto, a ciência para isso ainda não existe.

Ainda assim, a ciência está avançando – e os dispositivos de fala artificial ligados diretamente ao cérebro parecem ser uma possibilidade real no futuro.

Ciberia // ZAP

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