“Cogumelos mágicos” são 4x melhores do que antidepressivos, descobre estudo

Quando a psilocibina, a molécula psicodélica descoberta nos cogumelos mágicos (Psilocybe cubensis), é usada durante a psicoterapia, parece possuir efeitos antidepressivos rápidos, substanciais e duradouros contra a depressão maior, de acordo com um novo ensaio clínico.

O estudo randomizado é pequeno e não houve um grupo de controle tradicional, mas o pesquisador-chefe Alan Davis, da Universidade Johns Hopkins, afirma que ele e sua equipe estão “muito animados com os resultados”.

“Encontramos um efeito estatisticamente significativo e muito grande”, afirmou Davis em um podcast.

Em 24 voluntários com transtorno depressivo maior, os pesquisadores descobriram que a terapia assistida por psilocibina era pelo menos duas vezes mais eficaz do que apenas a psicoterapia e mais de quatro vezes mais eficaz do que antidepressivos.

A droga também não requer a ingestão de uma pílula todos os dias, nem vem com os efeitos colaterais dos antidepressivos ou da cetamina. Além de ocasionais dores de cabeça leves a moderadas e alguns momentos de forte emoção, os voluntários no estudo toleraram a psilocibina muito bem e não houve perigos sérios.

A pesquisa incluiu duas sessões de terapia com o medicamento com 8 horas de preparo e 2 horas de acompanhamento posterior com terapeuta. Durante as sessões, uma pílula de psilocibina foi ingerida e os participantes ficaram deitados em um sofá em uma sala de estar com fones de ouvido para estimulação musical e máscaras de dormir para tapar a visão estimulando a reflexão interior.

Durante o estudo, cerca de metade dos voluntários começaram a terapia com psilocibina imediatamente, enquanto a outra metade foi colocada em uma “lista de espera” por oito semanas com exames regulares de saúde mental.

Isso serviu como uma espécie de grupo de controle, com o grupo de tratamento imediato tendo resultados significativamente melhores do que os do grupo de espera que não estava recebendo nenhuma outra forma de tratamento.

Por volta das quatro semanas de teste, 71% dos voluntários apresentaram melhora, com uma queda de 50% nos sintomas depressivos.

Um mês depois, mais da metade do grupo foi considerada “em remissão”, e a pontuação média de depressão caiu de 23 para 8.

“O presente estudo mostrou que a psilocibina administrada no contexto de psicoterapia de apoio (aproximadamente 11 horas) produziu efeitos antidepressivos grandes, rápidos e sustentados”, concluem os autores.

Até um ano após o ensaio, os pacientes ainda estavam sendo examinados e os pesquisadores planejam publicar esses resultados no futuro.

O que sabemos até agora parece promissor. As descobertas apoiam outros estudos recentes, que sugerem que a terapia assistida por psilocibina pode produzir efeitos antidepressivos significativos e duradouros em apenas uma ou duas sessões.

Um ensaio clínico anterior descobriu que uma dose alta de psilocibina e uma sessão de baixa dose diminuíram a depressão e a ansiedade em pacientes com câncer com risco de vida. Seis meses depois, 80% dos pacientes ainda estavam colhendo os benefícios.

Outro teste entre aqueles que não responderam a outros tratamentos para depressão e ansiedade encontrou benefícios semelhantes com duas doses que duraram até três meses.

Embora ainda não esteja claro como a psilocibina melhora os sintomas depressivos, o psicodélico foi vinculado a muitas das mesmas redes neurais dos antidepressivos atuais, embora pareça agir de maneira diferente.

Estudos de imagens cerebrais em pessoas com depressão resistente ao tratamento sugerem que a psilocibina tem o efeito oposto dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRIs), aumentando a conexão emocional em vez de embotá-la como os SSRIs tendem a fazer.

No estudo atual, por exemplo, os pesquisadores dizem que seus voluntários relataram experiências místicas, pessoalmente significativas e que trouxeram insights associadas a uma diminuição da depressão em 4 semanas.

O transtorno depressivo maior afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, e muitas delas não respondem facilmente às formas existentes de tratamento. Encontrar melhores maneiras de tratar essa doença mental pode trazer alívio para muitas pessoas.

Duas vezes no ano passado, o Food and Drug Advisory (FDA) dos Estados Unidos designou a psilocibina como uma “terapia inovadora” na esperança de acelerar a pesquisa, e um desses testes clínicos está estudando especificamente a depressão maior.

Os resultados estão apenas começando a aparecer e precisaremos confirmá-los em amostras muito maiores e com grupos de controle mais fortes, mas as descobertas até agora são sólidas e os pesquisadores permanecem otimistas.

“Este é o primeiro do que serão, nos próximos dois anos, muitos ensaios clínicos sobre este tópico em populações deprimidas”, afirmou Davis.

“Parece que nos próximos quatro a seis anos é possível que a FDA tenha evidências suficientes para determinar se esse tratamento pode ser disponibilizado ao público.” Caso seja, outros países possivelmente vão seguir seu exemplo.

Em algumas áreas, a terapia pode chegar ainda mais cedo. Recentemente, o Oregon se tornou o primeiro estado dos Estados Unidos a legalizar a terapia com psilocibina, devido aos resultados promissores entre aqueles com PTSD, dependência e também depressão.

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