Carlos Luis da Cruz / Wikimedia

Furna do ilhéu de São Lourenço (ilhéu do Romeiro), freguesia de Santa Bárbara, concelho de Vila do Porto, ilha de Santa Maria, Açores
A 14ª expedição “Paleontologia em ilhas atlânticas”, que decorreu em Santa Maria, nos Açores (ilha que pertence a Portugal), permitiu encontrar e confirmar novas espécies de moluscos marinhos com mais de 4 milhões de anos.
“Os cientistas vão fazer agora um estudo de grande dimensão que vai permitir conhecer e descrever toda a fauna mais antiga, que tem entre 4 a 4,3 milhões de anos“, disse o biólogo marinho Sérgio Ávila, da Universidade dos Açores.
A expedição, que se realizou entre 14 e 21 de julho na ilha de Santa Maria, onde o Governo dos Açores iniciou uma visita estatuária de dois dias, contou com a participação de 22 pesquisadores de dez nacionalidades.
Segundo o pesquisador, o estudo das novas espécies de moluscos implica visitar museus na Europa onde estas faunas estão depositadas.
Sérgio Ávila, docente no Departamento de Biologia da academia açoriana, lidera há anos uma equipe de pesquisa multidisciplinar que estuda a evolução geológica de Santa Maria, ilha que tem cerca de seis milhões de anos e a maior jazida de fôsseis a céu aberto do Atlântico Norte.
Desde 2005, são feitas expedições à ilha do grupo oriental do arquipélago e, de acordo com o pesquisador, “ano após ano, a ilha tem sido um manancial de informação formidável”.
Sérgio Ávila salientou que as expedições anuais a Santa Maria consistem no estudo da geologia e da paleontologia, pesquisas cujos resultados são posteriormente divulgados através da publicação de artigos científicos, além do lançamento de livros, documentários televisivos e a criação de uma série de rotas temáticas relacionadas com os fósseis.
“Todas as ilhas [dos Açores] são de origem vulcânica, mas Santa Maria tem uma história particular e possui algo que mais nenhuma ilha tem, que são fósseis marinhos em quantidade e abundância e muito relevantes, alguns deles muito raros em ilhas oceânicas”, frisou, acrescentando que “restos de cetáceos, ossos e dentes de antigas baleias só existem em Santa Maria e em mais três ilhas em todo o mundo”.
No âmbito da pesquisa em Santa Maria ao longo dos anos, o biólogo indicou que já passaram pela ilha “mais de 70 pesquisadores nacionais e internacionais”.
“Do ponto de vista científico, a ilha talvez seja uma das mais conhecidas a nível mundial e o resultado de todo este conhecimento científico nos faz estudar outros arquipélagos”, referiu, adiantando que estão sendo implementados os primeiros estudos em Cabo Verde, onde sua equipe já se deslocou uma vez, e irá ainda a Porto Santo, na ilha da Madeira (também pertencente a Portugal).
Ciberia // ZAP