Prédios de Hiroshima que sobreviveram à bomba atômica podem ser demolidos por não serem à prova de terremoto

lopez_roderick / Flickr

Memorial da Paz de Hiroshima, no Japão

A cidade japonesa de Hiroshima planeja derrubar dois prédios que sobreviveram à bomba atômica de 1945, mas moradores querem preservá-los como marcos históricos.

Os dois complexos, construídos em 1913, foram usados primeiro como fábrica de uniformes militares e, depois, como acomodação de estudantes universitários. Eles também foram usados como hospital de emergência após a bomba atômica atingir a cidade.

“Eles podem ser transformados em memoriais voltados à promoção da abolição de armas nucleares”, diz um sobrevivente. Cerca de 80 mil pessoas foram mortas em decorrência da bomba atômica e outras 35 mil ficaram feridas.

O ataque destruiu a cidade e, até o ano passado, 85 prédios construídos antes da bomba continuavam de pé, localizados a até 5 quilômetros do “marco zero”— o local onde a bomba caiu.

Os dois edifícios que podem agora ser derrubados sobreviveram à bomba porque foram feitos com concreto reforçado— com um exterior de tijolos vermelhos. Alguns danos às janelas de metal e às portas ainda podem ser vistos.

Em 2017, autoridades chegaram ao diagnóstico de que esses prédios, que hoje são propriedade pública, possivelmente cairiam por terra ou sofreriam danos profundos caso houvesse um forte terremoto. E, como os dois edifícios não estão sendo usados e não estão abertos ao público, o governo local decidiu que eles devem ser demolidos até 2022.

Um terceiro prédio no mesmo local será preservado, e suas paredes e teto serão restaurados e reforçados para resistir a terremotos.

No dia da bomba atômica de Hiroshima, Iwao Nakanishi, de 89 anos, estava num dos prédios que agora devem ser demolidos. “Considerando a importância história de contar sobre essa tragédia às futuras gerações, não podemos aceitar essa demolição”, disse ela ao jornal local Mainichi. “Somos fortemente contrários a isso.”

Nakanishi sugeriu que os prédios sejam usados para promover a “abolição de armas nucleares”. Nos últimos anos, eles não foram usados, embora visitas fossem possíveis com autorização das autoridades locais.

“Esses são prédios valiosos que nos contam do horror da bomba atômica”, disse ao jornal Yomiuri, de Hiroshima, um visitante de 69 anos que passou pelos dois edifícios. “Eu tive uma sensação forte depois de olhar diretamente para eles pela primeira vez, então tudo o que eu quero é que sejam preservados.”

A ruína mais famosa da cidade é a do Antigo Centro de Exposição Comercial da Prefeitura de Hiroshima, localizada no hoje Parque Memorial da Paz. Patrimônio Mundial da Unesco. O que restou do edifício passou por uma reforma para que se tornasse resistente a terremotos.

Na Segunda Guerra Mundial, depois de os alemães se renderem, em maio de 1945, o Japão rejeitou um ultimato pela paz e continuou a guerra na Ásia. Os Estados Unidos argumentam que decidiram jogar duas bombas nucleares, uma em Hiroshima e outra em Nagasaki, para forçar o país a se render rapidamente, sem por em risco a vida de soldados americanos.

A primeira bomba, lançada em Hiroshima em 6 de agosto, matou cerca de 140 mil pessoas no total – aproximadamente 80 mil morreram imediatamente ou nos dias que se seguiram e outras 60 mil morreram em decorrência de doenças provocadas pela radiação.

Foi a primeira vez que uma arma nuclear foi usada numa guerra. Quando uma rendição imediata não veio por parte do governo japonês, as forças americanas lançaram outra bomba, três dias depois, sobre a cidade de Nagasaki, matando mais de 70 mil pessoas. O Japão se rendeu seis dias depois.

// BBC

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