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Macron abriu nesta quinta-feira (14) o Palácio Eliseu a Donald Trump, e estendeu a mão para quebrar o isolamento a que os líderes europeus votaram o presidente dos EUA que duvida das Nações Unidas, da Otan e da Organização Mundial de Comércio.
A tensão indisfarçável que marcou o primeiro encontro entre Macron e Trump, e que voltou a manifestar-se nas interações seguintes, deu lugar a sorrisos e cumprimentos de ambos. Se antes havia desconfiança, agora existe entendimento – e um desejo de cooperar em áreas que vão do combate ao terrorismo à pirataria informática.
Segundo o Público, a mensagem de Macron, ao receber Trump em Paris, não podia ser mais clara: a relação “especial” do eixo transatlântico passou a ser entre os EUA e a França. O presidente francês aproveitou a oportunidade de se tornar “o interlocutor privilegiado de Trump na Europa”.
A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, já mostrou que entre ela e Trump não há qualquer “química”. E a primeira-ministra britânica, Theresa May, se viu obrigada a adiar a visita do líder norte-americano a Londres. Macron deve agora um “obrigado”, pelo protagonismo “oferecido”.
O contraste entre o presidente francês mais novo desde Napoleão, e o presidente americano mais velho da História não podia ter resultado melhor para Emmanuel Macron.
Sua postura jovial e aberta, não era só um sinal de cosmopolitismo, pluralismo e internacionalismo, mas uma rejeição explícita da postura de Donald Trump – que nunca escondeu sua preferência pessoal por Marine Le Pen na corrida presidencial francesa.
Donald Trump foi a Paris na véspera dos desfiles de 14 de julho, o feriado nacional que assinala a tomada da Bastilha e simboliza o nascimento da República, e que este ano celebra ainda os 100 anos da entrada dos Estados Unidos na I Guerra Mundial, ao lado das tropas francesas.
O presidente norte-americano aproveitou a parada no monumento dos Invalides para prestar homenagem aos soldados dos EUA que participaram no desembarque da Normandia, em junho de 1944.
Ao lado de três veteranos do Dia D, Trump lembrou que a aliança entre os EUA e a França foi “forjada nas brasas da guerra” e agradeceu a todos os “heróis que lutaram pela liberdade quando foi mais necessário”.
Segundo a imprensa norte-americana, Trump só concordou em viajar para a França depois de saber que no programa constava o grandioso desfile “que era o tipo de espetáculo que gostaria de ter tido na sua tomada de posse“: porta-bandeiras, guarda a cavalo, desfiles de infantaria e exibição de armamento, com caças F-16 e F-22 a sobrevoar o Arco do Triunfo.
Segurança reforçada
A segurança em Paris foi triplamente reforçada para o dia feriado, por causa da presença de Donald Trump na parada militar e por causa de uma marcha de protesto contra o presidente dos EUA, marcada para a mesma hora.
O reforço na segurança marca também um ano desde o atentado de Nice que vitimou mortalmente 86 pessoas e manchou as celebrações do 14 de julho. O presidente Emmanuel Macron voa nesta sexta-feira para a cidade do Sul da França depois de se despedir da comitiva norte-americana.
Donald Trump referiu-se ao atentado de Nice durante a conferência de imprensa conjunta com Macron no final da reunião bilateral do Palácio do Eliseu. “Os EUA estão ao lado da França na sua batalha contra o extremismo“, disse o presidente que, há um ano, descreveu Paris como uma cidade perigosa e repleta de jihadistas.
A Champs-Élysées será, como manda a tradição, o centro das celebrações do feriado nacional na França, sob o olhar atento de Macron e de Trump.
Este ano, pelo menos sete mil agentes da autoridade, entre polícias e bombeiros, vão acompanhar todas as movimentações na grande avenida – no total, em toda a cidade de Paris, haverá 11 mil policiais e bombeiros destacados para as festividades.
Ainda há esperança para o Acordo de Paris
Reunido com Macron, Trump levantou o véu sobre um dos assuntos discutidos entre os líderes. O “Acordo de Paris” esteve na ordem do dia, e o presidente norte-americano até deixou alguma esperança sobre voltar atrás na sua decisão de abandonar o acordo que rege medidas contra as mudanças climáticas.
“Pode ser que aconteça alguma coisa em relação ao Acordo de Paris, vamos ver. Vamos falar sobre isso nos próximos tempos, se acontecer alguma coisa será maravilhoso, e se não acontecer também será OK”, respondeu Donald Trump.
Na coletiva de imprensa conjunta, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os dois líderes foram capazes de discutir a melhor forma de combater “a ameaça global de inimigos” que tentam desestabilizar o mundo atual, mas também reconheceu ter diferenças marcantes com Trump no que diz respeito às mudanças climáticas e ao Acordo de Paris.
“Respeito a decisão do presidente Trump. Está cumprindo o pensamento e o trabalho que acha adequados e que correspondem aos seus compromissos de campanha. Da minha parte, continuo comprometido com o Acordo de Paris e é meu desejo de continuar como parte deste acordo e avançar passo a passo, como previsto”, declarou o chefe de Estado francês.
A primeira-dama francesa “está em tão boa forma. Linda”
O presidente dos Estados Unidos olhou para a silhueta da primeira-dama francesa, Brigitte Macron: “Está em muito boa forma”, elogiou Trump, enquanto gesticulava com as mãos a “boa forma” da primeira dama.
Depois de repetir o comentário ao presidente francês, Trump voltou-se a Brigitte Macron e terminou com outro elogio: “Linda“. O caso aconteceu nesta quinta-feira (13), durante a visita de Estado de Trump e Melania ao monumento dos Invalides com Emmanuel e Brigitte Macron.
Os elogios de Donald Trump não caíram bem e vários internautas criticaram o presidente norte-americano por considerarem seus comentários “sexistas”. A visita de Estado oficial de Donald e Melania ficou ainda marcada por outro episódio: o aperto de mão entre Trump e Brigitte, adianta o Observador.
Nas imagens, pode-se ver um primeiro contato entre Trump e Brigitte Macron antes de se cumprimentarem com um beijo, mas o presidente norte americano não largou a mão da primeira-dama durante uns largos segundos, chegando até a puxá-la.
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