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Poluição em São Paulo
Viver na cidade influencia a nossa saúde. Segundo um estudo recente, a poluição do ar pode aumentar em 40% o risco de se desenvolver demência.
O impacto da poluição do ar na nossa saúde já era conhecido, mas agora uma equipe de cientistas britânicos garante que o ar poluído também pode causar danos no nosso cérebro. Em questão está o efeito de químicos, como o dióxido de azoto (NO2), que se alojam no corpo humano.
O estudo, publicado recentemente na BMJ Open, aponta que entre 131 mil londrinos com mais de 50 anos, 2.200 desenvolveram demência em um período de sete anos.
O Diário de Notícias ressalva que não ficou provada uma ligação causal entre a poluição e a doença, mas os cientistas descobriram que quem vive nas cinco áreas com níveis mais elevados de partículas finas (PM2,5) tinha mais 20% de probabilidade de desenvolver demência durante o tempo em que decorreu a pesquisa.
Além disso, os expostos aos cinco níveis mais altos de NO2 tinham mais 40% de probabilidade, mesmo considerando a idade, classe social e hábitos de vida.
Frank Kelly disse ao The Times que, apesar de os resultados não serem conclusivos no que toca ao estabelecimento de uma causa direta, “tem aumentado a percepção de que os impactos da poluição do ar na saúde vão além dos pulmões“.
O cientista principal do estudo explica que a pesquisa surgiu na sequência de outra, realizada em 2017 no Canadá, a partir da qual se concluiu que entre 2,2 milhões de pessoas vivendo próximas de estradas movimentadas tinham um risco 12% maior de demência.
Além disso, aponta o estudo recente, além de ser muito provável que a poluição provoque a demência, também pode aumentar o risco de se desenvolver a doença. “A poluição atmosférica está ligada a muitas doenças e, por isso, existe uma evidência inegável de que devemos melhorar a qualidade do ar nas cidades para melhorar a saúde pública.”
Ciberia // ZAP