COVID-19 deve ter pico no Brasil em abril e maio, dizem Mandetta e especialistas

Simone Venezia / EPA

A previsão de disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no país não é nada animadora para os próximos meses.

Isso porque ainda estamos em uma fase intermediária da infecção, que deve ter seus momentos de pico em número de doentes e mortos em abril e em todo o mês de maio. E mais: o vírus deve continuar circulando pelo Brasil até setembro.

Essa é a estimativa de um artigo publicado nesta terça-feira, no periódico científico Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, que conta com assinatura do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e outros especialistas da área.

“Embora o Brasil esteja tentando implementar medidas para reduzir o número de casos, principalmente focados no isolamento social, um aumento de casos de COVID-19 é esperado nos próximos meses. Vários modelos matemáticos mostraram que o vírus estará circulando até meados de setembro, com um pico importante de casos em abril e maio”, diz o relatório.

Embora não apresente números, a projeção seria baseada no avanço da doença no Brasil até agora e no padrão de comportamento encontrado em outros lugares. Desde o primeiro caso registrado em solo nacional, no dia 26 de fevereiro, a escalada vem sendo rápida. Em pouco mais de um mês chegamos a quase 14 mil positivos e 667 mortes, segundo os números do Ministério da Saúde, no final da tarde de ontem.

“Assim, existem preocupações quanto à disponibilidade de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e ventiladores mecânicos necessários para pacientes hospitalizados com COVID-19, bem como a disponibilidade de testes com diagnósticos específicos”, destaca o documento.

Isolamento e distanciamento social continuam sendo principais armas

O principal autor do relatório é o médico infectologista Julio Croda, que em março deixou o cargo de diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis e é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (MS) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde, também assinou o documento, entre outros.

A maior conclusão dessa previsão é que as pessoas precisam continuar cumprindo com as atuais medidas de prevenção. “O isolamento social é uma medida que deve ser sugerida no início [do surgimento dos caso] para achatar a curva epidemiológica com o mínimo possível de impacto econômico”, frisa o texto.

“Se o distanciamento social é eficaz [para conter a pandemia] (…), o impacto econômico poderá ser mitigado quando a atual pandemia de COVID-19 for controlada”, complementa.

O uso de máscaras também ganhou destaque, especialmente porque, diferente dos países asiáticos, onde a COVID-19 de certa forma foi controlada — embora haja uma segunda onda —, o uso de protetores faciais é culturalmente mais bem aceito e por lá não há o costume de abraços e beijos, como no Brasil “Essas diferenças podem ser decisivas em evolução de pandemias”, aponta o documento.

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