Descoberto o “Santo Graal” dos dinossauros africanos

Andrew McAfee, Carnegie Museum of Natural History

Ilustração do dinossauro herbívoro Mansourasaurus shahinae

Pesquisadores egípcios e norte-americanos descobriram uma nova espécie de dinossauro herbívoro descrito como o “Santo Graal” dos dinossauros africanos. Isto porque ajuda a desvendar a história da evolução destes animais na África e sua ligação com a Europa.

Os fósseis desse dinossauro herbívoro de pescoço longo, com placas ósseas incrustadas na pele, foram encontrados no deserto do Saara, dentro do território do Egito, conforme descrevem os paleontólogos no artigo científico publicado nesta segunda-feira (29) na revista Nature Ecology and Evolution.

Batizado de ‘Mansourasaurus shahinae‘, trata-se do “Santo Graal” dos dinossauros africanos. É o que salienta um dos coautores do estudo, o paleontólogo Matt Lamanna, do Museu Carnegie de História Natural, dos EUA, em declarações divulgadas no comunicado sobre a descoberta, publicado pela Universidade do Ohio, que também colaborou com a pesquisa.

“Quando vi as imagens dos fósseis pela primeira vez, meu queixo caiu ao chão”, aponta Lamanna, notando que os paleontólogos procuravam “há muito, muito tempo” um esqueleto de dinossauro africano do período Cretáceo tão bem conservado.

O espécime encontrado é o mais completo já encontrado na África relativo àquele período, incluindo partes do crânio, da mandíbula, do pescoço e das costelas, parte de um pé e das placas dérmicas.

Pertencente ao grupo dos saurópodes ‘Titanosauria‘, do qual fazem parte alguns dos maiores animais terrestres do mundo, o ‘Mansourasaurus‘ era, contudo, bem menor, com o tamanho de um elefante africano.

Hesham Sallam, Mansoura University

Maxilar inferior do Mansourasaurus shahinae encontrado no deserto do Saara no Egito

“Espécie-chave de dinossauro”

O ‘Mansourasaurus shahinae‘ é uma espécie chave de dinossauro e uma descoberta crítica para a paleontologia egípcia e africana, destaca o cientista Eric Gorscak, da Universidade de Ohio, que colaborou com o estudo.

É muito difícil encontrar fósseis de dinossauros do Cretáceo Superior na África, por causa da densa vegetação atual da zona. Isto deixa um vazio na pesquisa paleontológica quanto a uma época em que os continentes viviam grandes mudanças.

Depois de terem se agregado para formar o supercontinente Pangea, nos primeiros anos da era dos dinossauros, nos períodos Triásico e Jurássico, os continentes começaram a se separar por volta do período Cretáceo.

A descoberta do ‘Mansourasaurus shahinae‘ pode ajudar a entender como a África estava ligada ao Hemisfério Sul e à Europa e que caminhos evolutivos sofreram os animais de então.

Analisando as características do ‘Mansourasaurus‘, os cientistas detectaram que ele tem mais ligações com os dinossauros da Europa e da Ásia do que com aqueles que se encontram ao sul da África ou na América do Sul.

Este é um indício de que “os últimos dinossauros da África não estavam completamente isolados, ao contrário do que alguns propuseram no passado”, salienta Gorscak. “Havia ligações com a Europa”, refere o paleontólogo, salientando que alguns dinossauros podem ter se deslocado entre a África e o Velho Continente.

Ciberia // ZAP

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