EUA inauguram embaixada em Jerusalém em meio a confronto sangrento; há 41 mortos e 1600 feridos

Abir Sultan / EPA

A mudança da embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém acontece nesta segunda-feira (14). Donald Trump irá transmitir uma mensagem por vídeo.

A embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, reconhecida unilateralmente pelo presidente norte-americano como capital de Israel, é inaugurada nesta segunda-feira, 14 de maio, dia do 70º aniversário do Estado judaico. Donald Trump irá transmitir uma mensagem por vídeo.

Inicialmente, Trump tinha vontade de assistir à cerimônia, mas será representado pelo secretário de Estado adjunto, John Sullivan, sua filha Ivanka e o marido, conselheiro da Casa Branca, Jared Kushner. De acordo com um alto responsável norte-americano, o presidente dos EUA irá se dirigir aos convidados através de uma mensagem em vídeo.

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada instalada até agora em Tel Aviv foram anunciados por Donald Trump em 6 de dezembro de 2017, em consonância com sua promessa eleitoral, mas em ruptura com décadas de consenso internacional. Apesar da contestação da comunidade internacional e dos palestinos, os Estados Unidos mantiveram a decisão.

A decisão de transferir a embaixada americana de Tel Aviv revoltou os palestinos, que veem Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado. Já Israel considera a cidade como sua capital “eterna e indivisível”.

Para os palestinos, a mudança cimenta o status quo da ocupação, nota a Al Jazeera. Porém, a transferência não mudará a “vontade dos palestinos”, garantem os moradores de Jerusalém, que começaram manifestações em larga escala.

Trump fez o evento coincidir com a comemoração dos 70 anos do nascimento do Estado de Israel, proclamado em 14 de maio de 1948, na sequência do fim do mandato britânico na Palestina.

São esperadas “cerca de 800 pessoas”, incluindo uma forte delegação do congresso norte-americano, na inauguração da embaixada, provisoriamente instalada no local onde estava o consulado norte-americano, enquanto é aguardada a construção de um novo edifício.

Uma cerimônia “bilateral” americano-israelense, referiu o alto responsável norte-americano, minimizando assim as informações de que vários diplomatas de outros países que não reconhecem Jerusalém como capital maculariam a inauguração. O apoio internacional é assim bastante reduzido.

Por enquanto, uma pequena embaixada provisória começa a operar nesta segunda no prédio consulado dos EUA em Jerusalém. Quando o resto da embaixada se mudar de Tel Aviv, o complexo será transferido para um espaço maior.

41 palestinos mortos e 1600 feridos

Pelo menos 41 pessoas morreram e 1600 ficaram feridas em confrontos na manhã desta segunda entre palestinos e soldados israelenses na Faixa de Gaza ao longo da fronteira com Israel, horas antes da transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém.

O Ministério da Saúde palestino fala em 1600 feridos e adianta que muitas das vítimas ainda não foram identificadas.

De acordo com a CNN, 35 mil pessoas – descritas como “protestantes violentos” – estavam reunidas em 12 localizações diferentes ao longo da cerca que marca a fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel e outros milhares de palestinos estavam concentrados a cerca de um quilômetro.

Segundo a agência EFE, as forças israelenses, que tinham alertado a população para não se aproximarem da linha divisória, dispararam gás lacrimogêneo contra os manifestantes para impedir que eles se aproximassem do portão de segurança.

O exército israelense espera que dezenas de milhares de palestinos participem dos protestos contra a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém, cuja inauguração foi iniciada nesta segunda-feira, às 10h em Brasília.

Em panfletos lançados por caças, o exército israelense avisa que “atuará contra qualquer tentativa de danificar a vedação de segurança ou atacar soldados ou civis israelenses”. O Hamas indicou esperar dezenas de milhares de manifestantes, também em protesto contra a mudança da embaixada norte-americana.

Na terça-feira, os palestinos assinalam o Nakba (desastre, em árabe), que designa o êxodo palestino em 1948, quando pelo menos 711 mil árabes palestinos, segundo dados da ONU, fugiram ou foram expulsos de casa, antes e após a fundação do Estado israelense.

Netanyahu quer que países transfiram embaixadas

“Peço a todos os países para se juntarem aos Estados Unidos na transferência das suas embaixadas para Jerusalém”, disse o chefe do governo israelense, em cerimônia celebrada mo ministério para comemorar a conquista diplomática que significa a mudança da delegação norte-americana.

Netanyahu incentivou os diplomatas presentes a seguirem os passos da Casa Branca “porque é o correto e serve para avanço da paz” e agradeceu à ministra dos Negócios Estrangeiros da Guatemala, Sandra Erica Jovel, a decisão do país de também transferir a embaixada na próxima quarta-feira (16).

O primeiro-ministro israelense revelou ainda que “há outros países” que avaliam a possibilidade de fazerem o mesmo, mas recusou adiantar quais. Benjamin Netanyahu também agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por ter se atrevido a “confrontar o inimigo, Irã”.

Além disso, durante o discurso, Netanyahu também se referiu à vitória de Israel, no sábado, na Eurovisão, realizado na capital portuguesa, Lisboa. “Aqueles que não queriam que Israel esteja na Eurovisão vão ter uma Eurovisão em Jerusalém no próximo ano”, disse, em alusão ao movimento pró-palestino que pediu o boicote à artista.

Trump não respeitou as promessas estabelecidas

O conselheiro do presidente palestino Saeb Erekat disse, nesta segunda, que a administração norte-americana é mentirosa e que Washington deixou de ser um parceiro devido à abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém.

Saeb Erekat disse à rádio Voz da Palestina que o “presidente Donald Trump não respeitou as promessas estabelecidas” no quadro das negociações de paz.

O conselheiro do presidente palestino afirmou ainda que a administração norte-americana é, neste momento, “parte do problema”, acrescentando que a equipe presidencial para os assuntos do Oriente Médio não tem qualificações. “O mundo precisa de líderes reais e os representantes da Casa Branca ‘são agentes imobiliários’, não líderes”.

 

Israel dá luz verde a teleférico

O governo israelense deu, neste domingo (13), luz verde a um investimento 43 milhões de euros para o projeto de construção de um teleférico entre Jerusalém Ocidental e a Cidade Velha, em Jerusalém Oriental, setor palestino ocupado por Israel. Os dois lados de Jerusalém serão, assim, unidos.

O anúncio foi feito pelo ministro israelense do Turismo, Yariv Levin, em vésperas da transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém.

O projeto de teleférico “irá mudar a face de Jerusalém, oferecendo aos turistas e visitantes um acesso confortável ao Muro das Lamentações”, na Cidade Velha, afirmou Levin.

O projeto prevê um teleférico com um percurso de 1,4 quilômetro, entre a parte ocidental de Jerusalém até o Monte das Oliveiras, e depois até a entrada para a Cidade Velha, próximo do Muro das Lamentações, lugar sagrado de oração para os judeus.

Ciberia, Lusa // ZAP

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