Estudo com gêmeos da NASA revela que genes conseguem “ligar e desligar” no espaço

Robert Markowitz / NASA

Os gêmeos astronautas da NASA Mark e Scott Kelly

Novos resultados preliminares do estudo com gêmeos da NASA sugerem que ir ao espaço aumenta a metilação do DNA – processo responsável pela ativação e desativação dos genes.

Essas descobertas não só fornecem um vislumbre desse processo celular, mas também dizem aos cientistas como o corpo humano pode mudar quando está no espaço.

“Algumas das coisas mais empolgantes que vimos ao analisar o comportamento dos genes no espaço é que realmente vemos uma explosão, como o desfoque dos fogos de artifício, assim que o corpo humano entra no espaço”, disse o pesquisador principal do estudo dos gêmeos, Chris Mason, da Weill Cornell Medicine, em comunicado.

“Com este estudo, vimos milhares e milhares de genes mudarem como eles são ligados e desligados. Isso acontece assim que um astronauta entra no espaço, e parte da atividade persiste temporariamente ao retornar à Terra“, completa o texto.

A experiência única foi possível graças a Mark e Scott Kelly, que são gêmeos e astronautas da NASA. Scott Kelly passou mais de 11 meses no espaço (entre 2015 e 2016), enquanto Mark permaneceu na Terra – o que deu à agência espacial uma “base” para detectar prováveis mudanças que ocorreriam enquanto Scott estava no espaço.

O estudo completo ainda não foi publicado, mas algumas das descobertas já estão disponíveis. Em um desses estudos genéticos, os pesquisadores descobriram que os telômeros de Scott Kelly cresciam mais do que os de Mark – o oposto do esperado.

“Este estudo representa uma das visões mais abrangentes da biologia humana. Ele realmente define a base para a compreensão dos riscos moleculares para viagens espaciais, bem como formas de potencialmente proteger e corrigir essas mudanças genéticas”, disse Mason, citado pelo IFLScience.

O estudo analisou aspectos principais da biologia humana, como a fisiologia e a microgravidade, que afeta diferentes órgãos, como o coração e o cérebro.

Os cientistas também analisaram as mudanças na percepção e no raciocínio, que constituem o núcleo da saúde comportamental, e consideraram o microbioma humano e como os voos espaciais podem afetar as bactérias que vivem em nossos intestinos. Finalmente, analisaram qualquer mudança genética entre Scott e Mark.

O estudo dos gêmeos (chamado de Twin Study, em inglês) faz parte do Programa de Pesquisa Humana da NASA, que examina a melhor tecnologia para garantir que o voo espacial humano seja o mais seguro possível.

EM, Ciberia // IFLScience

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