Evo Morales vai fazer da Argentina o seu comitê de campanha para as eleições na Bolívia

Alain Bachellier / Flickr

Evo Morales, Presidente da Bolívia

Em uma operação secreta, o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, chegou à Argentina de onde vai comandar a campanha do seu partido para as próximas eleições. Depois de passar quase um mês no México, Evo Morales recebeu o status de refugiado na Argentina, o que lhe permite uma maior proteção.

A atual Argentina do presidente Alberto Fernández é hoje um reduto da esquerda regional e a presença de Evo Morales pode distanciar ainda mais os governos argentino e brasileiro.

Para evitar problemas para o país na relação com as nações vizinhas, o governo argentino pediu que Evo Morales não faça declarações políticas públicas, mas não existe nenhuma lei que o proíba de romper com essa promessa. Na Argentina, Evo Morales poderá organizar a campanha do seu partido, o Movimento Ao Socialismo, para as próximas eleições na Bolívia, ainda sem data, mas que devem acontecer em março ou em abril.

Mesmo com o seu líder fora da Bolívia, o partido de Evo Morales o escolheu como chefe de campanha para as próximas eleições. Será ele quem vai escolher o candidato do partido e traçar a estratégia eleitoral. Evo Morales não está habilitado para concorrer, mas vai tentar, indiretamente, recuperar o poder através do seu candidato.

O próprio chanceler argentino, Felipe Solá, destacou que a proximidade geográfica da Argentina com a Bolívia foi decisiva para a vinda de Morales. O ex-presidente vai poder andar livremente pelo país e reunir-se com quem quiser.

Mas o governo argentino colocou como condição para ele ficar no país como refugiado que o mesmo não faça declarações políticas. Não existe nenhuma lei argentina que o proíba. É apenas um compromisso político.

Assim que chegou à Argentina, Evo Morales publicou nas redes sociais que “vai continuar lutando pelos mais humildes”. Sua impacta no governo brasileiro. Uma das razões que o chanceler argentino, Felipe Solá, deu para pedir que Evo Morales não faça declarações públicas é que isso poderia gerar algum problema para a Argentina.

Impacto no governo brasileiro

Felipe Solá não citou o Brasil, mas é claro que, na vizinhança, o governo que pode ficar mais irritado com a ajuda argentina a Evo Morales, é o brasileiro. O Brasil foi o primeiro país da região em reconhecer o novo governo boliviano. O presidente Jair Bolsonaro quer ajudar a Bolívia a evitar que a esquerda recupere o poder.

E a vinda de Evo Morales para o país acontece apenas horas depois de o presidente Jair Bolsonaro ter dito que estava à disposição para receber uma visita de Alberto Fernández, num gesto de aproximação depois de semanas de tensão.

O que mais irrita Bolsonaro é o apoio de Alberto Fernández a Lula. Mas agora aparece também Evo Morales e, neste momento, quem também está na Argentina de visita é o ex-presidente equatoriano Rafael Correa.

Para Bolívia, postura da Argentina não surpreende

A chanceler boliviana, Karen Longaric, disse à RFI Brasil que Alberto Fernández já tinha deixado claro como seria a relação com o atual governo boliviano.

O ex-presidente argentino Mauricio Macri pediu, na semana passada, que Alberto Fernández reconhecesse o governo boliviano, mas Fernández não vai reconhecer porque acredita que Evo Morales foi vítima de um golpe. Tudo o que Fernández puder fazer para ajudar Evo Morales ou o seu partido a recuperar o poder, ele vai fazer.

O que a chanceler boliviana pediu agora é que Evo Morales cumpra com as regras de um refugiado e não dê declarações públicas, como fez todos os dias durante um mês no México. Para a ministra boliviana, pode haver uma relação muito difícil com o novo governo argentino que, segundo ela, já demonstrou muita animosidade contra o governo de transição de Jeanine Áñez.

Operação secreta

O ex-presidente boliviano chegou ao país em uma operação secreta, como asilado político, mas, uma vez em território argentino, solicitou e recebeu o status de refugiado político que autoriza não ser expulso nem extraditado da Argentina caso avancem os processos contra ele na Bolívia. Evo Morales chegou com quatro ex-integrantes do seu governo que vão também coordenar a campanha eleitoral na Bolívia a partir daqui.

O governo argentino argumentou que Evo Morales quis ficar na Argentina onde estão seus dois filhos desde o dia 23 de novembro. Na terça-feira, quando Alberto Fernández assumiu a Presidência, Evo Morales telefonou para lhe dar os parabéns e para lhe pedir se podia começar com o processo de pedido de refúgio na Argentina. Em 48 horas, o pedido era uma realidade. Morales ainda não se reuniu com Fernández, mas eles já conversaram por telefone.

// RFI

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