Marcello Casal Jr / ABr

O Complexo Penitenciário de Gericinó, também conhecido como Complexo de Bangu, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, está enfrentando problemas de abastecimento de água.
Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, carros-pipa foram enviados ao conjunto de penitenciárias para resolver a situação.
Segundo a Cedae, responsável pelo abastecimento de água em grande parte da região metropolitana, devido ao forte calor, houve um aumento de 30% no consumo de água e uma tentativa de furto de água, que provocou vazamento na adutora que abastece os presídios. Técnicos foram ao local verificar as redes de abastecimento.
Segundo notícias veiculadas pela imprensa, detentos gravaram um vídeo com celular dentro do presídio para denunciar a falta de água, além de péssimas condições de higiene das celas e dos banheiros.
Nas filmagens aparecem quatro homens com rostos encobertos por camisas brancas que exibem sacos de lixo amontoados ao lado de um cano usado para banhos, paredes cobertas por lodo e recipientes que servem para armazenamento de água, completamente vazios. Uma garrafa com água de beber suja também foi mostrada no vídeo feito pelos detentos.
A Secretaria de Administração Penitenciária abriu uma sindicância e está analisando o vídeo para confirmar se a gravação foi feita dentro do complexo.
Caso seja confirmada a gravação dentro do presídio e os detentos sejam identificados, os presos serão punidos com transferência para o Regime Disciplinar Diferenciado na Penitenciária Laercio da Costa Pelegrino, Bangu I, localizada dentro do próprio complexo que tem mais de 20 unidades.
Barril de pólvora
Esta unidade, criada em 1987 para abrigar os bandidos mais perigosos, estaria dando espaço a detentos em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ou que tenham cometido falta disciplinar grave.
Após uma briga entre líderes de uma facção criminosa, 500 presos que cumpriam pena na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho (Bangu 4) e no Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói, teriam sido transferidos para a Cadeia Pública José Frederico Marques (Bangu 10), também no Complexo de Gericinó.
Um tumulto ocorrido nos últimos dias também acendeu o alerta dos agentes na Penitenciária Lemos de Brito (Bangu 6). Integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) teriam tentado acessar uma galeria onde estão presos ex-policiais militares e milicianos. Após o episódio, advogados teriam exigido a transferência de parte dos detentos para evitar uma divisão dentro da unidade.
Questionada pelo jornal O Dia, a secretaria informou que a coleta de lixo está normal e que uma sindicância foi aberta para apurar como o celular utilizado para a filmagem entrou no presídio de segurança máxima.
Alegando medidas de segurança, dados sobre a transferência dos presos e possível tumulto em uma das penitenciárias não foram divulgados.
// Agência Brasil / AgênciaBR