Fotos do acervo pessoal de Frida Kahlo chegam a São Paulo

Saed de los Santos / Wikimedia

Retrato de Frida Kahlo a óleo sobre madeira, Saed de los Santos

Retrato de Frida Kahlo a óleo sobre madeira, Saed de los Santos

Fotografias do acervo pessoal de Frida Kahlo chegam a São Paulo em duas exposições que o MIS traz à cidade em parceria com o Espaço Cultural Porto Seguro: Frida Kahlo – Suas Fotos e Frida Kahlo – Suas Fotos | Olhares sobre o México.

A coleção, que já passou por Lisboa (Portugal), Tijuana (México), Kazimierowka (Polônia) e Curitiba, entre muitos outros locais, sempre com grande sucesso de público, chega a São Paulo entre os dias 3 de setembro e 20 de novembro de 2016.

Embora com o mesmo conteúdo, o acervo será dividido entre os dois espaços culturais: Frida Kahlo – Suas Fotos será exposta no MIS, enquanto Frida Kahlo – Suas Fotos | Olhares sobre o México poderá ser vista no Espaço Cultural Porto Seguro.

Para integração entre as instituições, os visitantes poderão utilizar o serviço gratuito de uma van, que transportará o público de um espaço cultural para o outro. As mostras são complementares e o ingresso adquirido no MIS ou no Espaço Cultural Porto Seguro dá acesso livre a ambas exposições; basta o visitante apresentar o bilhete na entrada.

Após a morte de Frida Kahlo, em 1954, uma coleção de memórias da emblemática artista mexicana ficou guardada por meio século a pedido de seu marido, Diego Rivera, em um banheiro na Casa Azul, local onde Frida viveu grande parte da sua vida e onde veio a falecer. Só em 2007, a equipe da Casa Azul teve autorização para abrir este banheiro e, na data, um conjunto de 6.500 fotografias do acervo da artista foi revelado.

Após seleção de 241 imagens deste acervo, o curador Pablo Ortiz Monastério elaborou a exposição Frida Kahlo – Suas Fotos dividida em seis seções temáticas pertinentes à trajetória de vida da artista. A seleção revela desde a infância até períodos de sua vida adulta, com imagens de autoria de seu pai e seu avô materno que eram fotógrafos profissionais, além de momentos eternizados pela própria artista e seus amigos fotógrafos Gisèle Freund e Nickolas Muray, entre outros.

(dr) Museu Frida Kahlo

Frida Kahlo pintando o retrato de seu pai, foto por Gisele Freund, 1951

Frida Kahlo pintando o retrato de seu pai, foto por Gisele Freund, 1951

“O acervo reflete de maneira clara os interesses que a pintora teve ao longo da sua tormentosa vida: a família, o seu fascínio por Diego e os seus outros amores, o corpo acidentado e a ciência médica, os amigos e alguns inimigos, a luta política e a arte, os índios e o passado pré-hispânico, tudo isto revestido da grande paixão que teve pelo México e pelos mexicanos”, explica o curador Pablo Ortiz Monasterio.

As fotografias estarão expostas em cinco seções. São elas:

Origens: Alguns dos retratos familiares mais representativos do arquivo de Frida;
Casa Azul: Imagens da artista criança, quando começou a posar para o seu pai, o fotógrafo Guillermo Kahlo, e outras com familiares e amigos, desfrutando da Casa Azul, cenário de muitas das suas sessões fotográficas;
Política, revoluções e Diego: Fotografias relacionadas a questões políticas – com destaque para a revolução mexicana – ou tecnológicas; imagens das indústrias e do progresso tecnológico do sistema capitalista, além de retratos de líderes do socialismo que Diego Rivera colecionava – Lenin, Stalin e Trotsky – e imagens da vida cotidiana nas repúblicas socialistas;
Corpo acidentado: Nesta seção estão fotografias de Frida após o grave acidente que sofreu em 1925 e a manteve imóvel durante meses, entre elas há uma série feita pelo fotógrafo húngaro Nickolas Muray;
Amores: Imagens de pessoas importantes na vida sentimental e sexual de Kahlo. Destaca-se a fotografia de Frida e Tina Modotti, que em algumas ocasiões chegou a aconselhar Frida em questões fotográficas, há também imagens da atriz Dolores del Río, do produtor cinematográfico Arcady Boytler, da pintora Alice Rahon  e, sobretudo, de Diego Rivera.

Frida no Espaço Cultural Porto Seguro

Graças ao seu interesse pela arte fotográfica e a sua relação com fotógrafos de destaque, Frida reuniu um conjunto numeroso de imagens que são verdadeiras joias tanto pela sua qualidade visual como pelo seu valor, no caso das assinadas por grandes artistas. Em Frida Kahlo – Suas Fotos | Olhares sobre o México, exposição no Espaço Cultural Porto Seguro, o público terá acesso a um destes valiosos conjuntos: a seção intitulada Fotografia composta por 25 imagens que ganhará uma expografia especial com uma entrada inspirada na Casa Azul.

A exposição é composta por retratos realizados por autores de destaque da história da fotografia e amigos pessoais de Frida como Guillermo Kahlo, Man Ray, Martin Munkácsi, Edward Weston, Brassaï, Tina Modotti, Pierre Verger e Manuel Álvarez Bravo. As fotografias exibidas se destacam pela visão particular que cada um desses profissionais tinha do México e da sua cultura, da sua história e dos seus protagonistas. Cada fotógrafo deu pessoalmente as imagens a Frida e, inclusive, ela utilizou alguns destes motivos na sua pintura, como é o caso do gato preto de Martin Munkácsi. Sobressaem as fotografias de Tina Modotti e de Edward Weston do período revolucionário – algumas das mais valiosas desta coleção – juntamente com as quatro fotografias tiradas e assinadas por Frida Kahlo e as duas não assinadas, mas cuja autoria pode atribuir-se à pintora.

Quem é Frida Kahlo

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon, conhecida como Frida Kahlo, nasceu no dia 6 de julho de 1907, em Coyoacan, México. Aos 18 anos, enquanto estudava medicina, sua vida mudou de forma trágica: sofreu um acidente automobilístico que lhe rendeu múltiplas fraturas e a fez submeter-se a várias cirurgias (35 ao todo). Foi nesta época que ela começou a pintar freneticamente e se autorretratou revelando suas angústias, vivências, medos e o amor por Diego Rivera, pintor e muralista mexicano mais importante do século 20, com quem casou em 1929.

As obras de Frida possuem uma estética muito próxima ao surrealismo com influência da arte folclórica indígena mexicana, cultura asteca, tradição artística europeia, marxismo e movimentos artísticos de vanguarda. Destacou-se ainda pelo uso de cores fortes e vivas.

Em 1938, fez sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, em Nova York, e foi sucesso de crítica. Em seguida, seguiu para Paris. Lá conheceu Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Éluard e Max Ernst.

O Museu do Louvre adquiriu um de seus autorretratos. Em 1951 pintou o “retrato do meu pai” e, quando morreu, deixou uma pintura inacabada de Stalin.

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