Francesa ficou presa por 2 semanas ao atravessar (por engano) a fronteira entre os EUA e o Canadá

Cedella Roman / Facebook

Cedella Roman foi presa por atravessar a fronteira acidentalmente quando corria

A francesa Cedella Roman, de 19 anos, passou o “maior susto da sua vida”: foi detida pelo serviço de imigração norte-americano e ficou presa durante duas semanas em um centro para imigrantes por ter atravessado, por engano, a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos enquanto corria.

Após o choque e a liberação, Cedella Roman contou sua desagradável aventura à imprensa. “É inacreditável”, disse a jovem ao canal canadense CBC, que revelou a história em plena polêmica sobre a política migratória de “tolerância zero” de Donald Trump.

Natural de Briançon, nos Alpes franceses, a jovem decidiu, depois de acabar o ensino secundário, ir para o Canadá para “aprender inglês”. Roman vive, no momento, com a mãe em White Rock, na Colúmbia Britânica.

No dia 21 de maio, feriado no país, a jovem francesa aproveitou o fato de a mãe não estar trabalhando para ir à praia com ela e a irmã mais nova. Ao final do dia, resolveu fazer uma corrida.

“Comecei a correr, mas cheguei rapidamente ao fim da praia e percebi que a maré começava a subir”, recorda a jovem, que conta: resolveu então seguir por uma pequena estrada de terra e aproveitar para fotografar a paisagem antes de voltar para casa.

Foi quando dois agentes americanos a interceptaram, e a acusaram de entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Surpreendida e sem documentos de identificação, Cedella tentou explicar que era francesa, que tinha visto de residência no Canadá e que tinha atravessado a fronteira “sem perceber”.

Os agentes foram cordiais, tentaram tranquilizá-la, mas a informaram, cerca de 20 minutos mais tarde, que estava presa e não poderia partir.

A jovem conta que foi levada “para um prédio”, onde suas impressões digitais foram recolhidas e seus objetos pessoais apreendidos. Foi só nesse momento que Cedella Roman começou a ter medo, muito medo.

Me senti como uma grande criminosa“, recorda, emocionada. Ela foi autorizada a telefonar para a mãe, que pensou inicialmente que se tratava de uma piada de mau gosto. “Só quando passei o telefone para um dos agentes da polícia é que a minha mãe percebeu o que se passava, e começou a entrar em pânico”, explica Roman.

A francesa foi transferida para um centro de detenção em Tacoma, no estado de Washington, na madrugada do dia 22 de maio. “Me vi em uma prisão, trancada o tempo todo em uma área cercada por arame farpado e com cães”. Durante 15 dias, a jovem dormiu em um grande quarto com 60 camas e uma centena de imigrantes.

“Tentávamos nos entender e nos ajudar. Havia uma boa atmosfera. Ver pessoas da África e de outros lugares presas por terem de faco tentado atravessar a fronteira me fez relativizar minha experiência“, salienta.

A mãe da jovem francesa lutou durante as duas semanas para libertar a filha. Chegou ao centro de detenção dois dias depois, com o passaporte e o visto da filha. Mas para sua surpresa, Roman não foi imediatamente liberada, por causa de um detalhe administrativo.

Segundo conta a mãe, “os americanos tentaram entrar em contato com o Canadá para obter o máximo de informações sobre mim. Mas como eu não sou canadense, isso demorou muito tempo”. A jovem foi finalmente liberada no dia 6 de junho, e regressou ao Canadá, antes de voltar à França, uma semana mais tarde.

Roman não foi processada judicialmente, mas está proibida de morar nos Estados Unidos. Questionados pela CBC, os serviços de imigração americanos se limitaram a confirmar que a jovem foi presa e liberada em 6 de junho.

Ciberia // ZAP

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