Governo de Bachelet sofre derrota em eleições municipais no Chile

(dr) Alex Ibanez /presidência do Chile

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, discursa no Palácio da Moeda, em Santiago, após as eleições municipais de domingo

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, discursa no Palácio da Moeda, em Santiago, após as eleições municipais de domingo

As eleições municipais no Chile, ocorridas neste domingo (23), impuseram uma derrota nas urnas aos partidos que fazem parte do governo da presidente Michelle Bachelet.

A coalizão de centro-esquerda Nova Maioria ficou com 37,07% dos votos contra 38,53% do grupo de direita Chile Vamos, com cerca de 96% das urnas apuradas.

O resultado final deve ser anunciado ainda nesta segunda-feira (24), mas Bachelet já reconheceu a derrota e disse que o governo precisa “ouvir” o recado dado pelas urnas.

“Os chilenos nos deram uma mensagem dupla. A Nova Maioria, a coalizão do governo, perdeu seu nível de apoio em vários lugares e devemos escutar essa chamada de atenção porque tem fundamento. Às vezes, nós mostramos mais divisão que unidade em temas que importam de verdade para os cidadãos e os chilenos querem uma política melhor e mais justa”, disse a mandatária.

Visivelmente surpresa com a forte queda de sua base, Bachelet também ressaltou a forte abstenção registrada nas urnas e destacou que esse é um “poderoso alerta” para toda a classe política.

“É um mal-estar que cresce e que mostra que a fortaleza da nossa democracia está afetada”, disse a presidente ressaltando que isso “não é apenas uma simples expressão de desinteresse, mas um aborrecimento direto”.

Bachelet questionou ainda se todos – governo e oposição – “estão oferecendo as reais demandas cidadãs do país”, que envolvem a “probidade, a eficiência e a proximidade”.

Cerca de 14,1 milhões de chilenos estavam aptos ao voto, mas o número total de pessoas que se foram aos centros de votação não chegou aos cinco milhões. O índice de abstenção é o mais baixo desde a volta da democracia ao Chile, em 1990.

Principais derrotas

A coalizão de direita recuperou cidades emblemáticas para o governo de Bachelet. Apesar de não ser a maior cidade do país, a capital Santiago voltou para as mãos da oposição com a derrota de Carolina Tohá para Felipe Alessandri. Tohá era uma aposta de renovação política da esquerda chilena.

O município de Providência também saiu das mãos da base de Bachelet, onde a ex-ministra e ex-senadora Evelyn Matthei teve grande vitória contra a socióloga e atual prefeita Josefina Errázuriz.

Já em Maipú, a vencedora foi a ex-dançarina de um programa de televisão e esposa do deputado Joaquín Lavín, Catherine Barriga, que derrotou o atual prefeito Cristián Vittori, investigado por corrupção e o social-democrata Freddy Campusano.

Ao sul da região metropolitana, em Pedro Aguirre Cerda, a atual prefeita Claudina Núñez perdeu para o médico independente Juan Rozas – que também derrotou a coalizão de direita.

Outra surpresa ocorreu em Valparaíso, considerado uma base da esquerda chilena, onde o ex-líder estudantil Gabriel Boric derrotou o representante do governo, Leopoldo Méndez, e o atual prefeito da direita, Jorge Castro.

Em números totais, com os votos computados até agora, a coalizão de esquerda ficou com 143 prefeituras – contra 167, em 2012 – e a direita subiu de 121 para 142 cidades.

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