Há uma estrela mais velha que o Universo – e ninguém sabe como

JPL-Caltech / UCLA / NASA

Esta imagem mostra a constelação das Plêiades através dos olhos do WISE da NASA

Um paradoxo à escala cósmica intriga os astrônomos há anos: a estrela conhecida como Matusalém, cujo nome oficial é HD 140283, é mais velha que o Universo. Segundo indicam os cálculos dos astrônomos, a estrela Matusalém tem 14,5 bilhões de anos. O único problema é que o Big Bang, evento que criou todo o Universo, ocorreu há “apenas” 13,8 bilhões de anos.

Os astrônomos determinam a idade de uma estrela a partir de suas propriedades físicas. A temperatura e a luminosidade são alguns dos fatores estudados para determinar que uma estrela tem certa idade.

O tempo de vida de uma estrela, no entanto, depende de quanto metal e massa ela contém. As estrelas mais antigas têm uma baixa massa e baixa metalicidade. Neste contexto, “metal” é considerado o subproduto de uma reação de fusão no núcleo da estrela.

Algumas das primeiras estrelas não tinham metais. Mas, à medida que morrem, seus restos se tornam parte de novas estrelas, que adotam os metais criados pelas suas predecessoras.

Logo, estudar a composição das estrelas é a melhor forma de analisá-las. Uma forma de o fazer é medindo a temperatura e a pressão da radiação de fundo de micro-ondas. Essa radiação cósmica é a luz mais distante que podemos detectar.

Outra forma é estudando a formação das estrelas, a formação de aglomerados estelares e a criação e desenvolvimento das galáxias.

NASA Goddard Space Flight Center

O ciclo de vida de uma estrela

Determinar a idade do Universo requer uma abordagem diferente e complexa, mas a maior parte dos cientistas diz que nossos cálculos, com todas as variáveis consideradas, são bastante sólidos – com uma margem de erro de 100 milhões de anos, muito menos que a diferença de idades do Universo e de Matusalém.

Então, a misteriosa estrela que é 700 milhões de anos mais velha que o Universo, vai causar uma mudança de paradigma na forma como vemos o cosmos? Provavelmente não.

Atualmente, é dado como muito certo que o Universo não tem 14,5 bilhões de anos. O Big Bang que deu origem à estrela aconteceu há 13,8 bilhões, podendo ser apenas 100 milhões de anos mais velho ou mais novo.

Logo, como nenhuma coisa pode ser mais antiga do que sua origem, não resta nada além de assumir que é necessário entender melhor a idade de HD 140283.

Recentemente, uma equipe de astrônomos reavaliou a estrela e atualizou sua idade, tornando-a “mais adequada” ao nosso modelo cosmológico atual. Os resultados do estudo foram publicados na revista Solar and Stellar Astrophysics.

O autor principal do estudo, Howard Bond, professor do departamento de astronomia e astrofísica da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e seus colegas, analisaram o brilho, a distância, a estrutura e a composição da estrela.

Matusalém está a caminho de se tornar uma gigante vermelha, esgotando o seu núcleo de hidrogênio. Deverá então se expandir durante algum tempo, depois diminuir para uma anã branca, ou acabar como uma supernova.

Os cientistas usaram o telescópio espacial Hubble para entender melhor a distância que a estrela se encontra, usando o princípio da paralaxe – a ideia de que à distância as retas parecem se cruzar, quando na realidade permanecem paralelas.

Em outras palavras, Bond e os colegas achavam que poderiam obter uma medida mais precisa dessa distância entendendo a variação entre a posição da órbita da Terra e do telescópio Hubble. E estavam certos.

Matusalém está a 190,1 anos-luz de distância de nós, movendo-se à incrível velocidade de 1,3 milhões de km/h, com uma órbita excepcionalmente longa. A partir da medida desta distância, os cientistas conseguiram calcular seu brilho e reavaliar sua idade.

De acordo com Bond, há agora um nível de incerteza, que poderia somar ou subtrair 800 milhões de anos à suposta idade da estrela. Uma subtração tornaria Matusalém um pouco mais jovem do que o próprio universo, com 13,7 bilhões de anos, e traria de novo harmonia ao Cosmos e paz de espírito aos astrônomos de todo o Universo.

A equipe tentou também entender melhor a taxa de combustão da estrela, que aparenta ter uma alta relação de oxigênio para ferro – o que pode torná-la ainda mais jovem do que o previsto inicialmente.

Entretanto, há um elefante aparentemente esquecido no meio da galáxia, uma pergunta que poucos se atrevem a fazer. O Big Bang foi mesmo o início do Universo?

Ciberia // ZAP

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2 COMENTÁRIOS

  1. Vi os dados, isso se chama “racionalização”, quando a partir de um resultado esperado se torce os dados e os interpreta de acordo com sua vontade, um pesquisador tentaria as duas coisas, tentar aperfeiçoar seus cálculos para perceber se a estrela é verdadeiramente mais velha que o Universo e tentar rever a teoria em que se baseia a idade do universo, uma das duas pode estar errada, ou ter uma outra variável desconhecida, ainda a ser estudada, mas de forma alguma partir do pressuposto que a idade do universo está certa, tudo na ciência é verificável, mas na astrofísica, muitas coisas são dogmas, dependem da fé, e isso atrasa o desenvolvimento da ciência. Observe que ele fala de uma subtração que colocaria a estrela na faixa do possível, mas não fala da adição que tornaria ela ainda mais antiga com possíveis 15,3 bilhões de anos, contra o universo com possíveis 13,820 bilhões de anos, há também uma outra contradição gritante relação oxigênio ferro, quando no próprio artigo é citado ser a estrela Matusalém de primeira geração, e as estrelas de primeira geração não possuíam oxigênio e muito menos metal (ferro).

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