Biólogos encontram uma nova cidade submarina de polvos

No final do ano passado, um grupo de cientistas descobriu uma pequena cidade de polvos – chamada de Octlantis. A descoberta sugere que talvez os membros das sombrias espécies de polvos (Octopus tetricus) não sejam criaturas tão isoladas e solitárias como pensávamos. 

Octlantis tem cavernas feitas com pilhas de areia e conchas e abriga até 15 cefalópodes, de acordo com os biólogos marinhos. Os cientistas gravaram 10 horas de vídeo no local, que fica entre 10 e 15 metros de profundidade e mede 18 por 4 metros.

O estudo foi publicado na revista Marine and Freshwater Behaviour and Physiology no dia 1º de setembro de 2017.

Nas gravações feitas, a equipe de pesquisa internacional observou os polvos se reunirem, conviverem, se comunicarem uns com os outros, perseguirem os povos indesejados, chegando mesmo a expulsar uns aos outros das tocas – ao que parece, Octlantis pode ser um lugar difícil para se viver.

“Estes comportamentos são produto da seleção natural e podem ser notavelmente semelhantes ao complexo social dos vertebrados”, disse David Scheel, da Universidade do Pacífico do Alasca.

“Isso sugere que, quando as condições certas estão reunidas, a evolução pode produzir resultados muito semelhantes em diversos grupos de organismos”, explicou.

A nova cidade de polvos encontrada fica em Jervis Bay, no litoral leste da Austrália, e está localizada perto de outro local semelhante, descoberto em 2009, chamado de Octopolis – onde os cientistas viram uma espécie de Clube da Luta em versão polvo.

Para aumentar a sensação de ilegalidade, os cientistas também descobriram conchas de presas comidas espalhadas pela cidade, sendo, às vezes, utilizadas para construir as cavernas.

Ambas as cidades descobertas sugerem que os polvos Octopus tetricus não são exatamente tão solitários como sempre foram retratados, mas o que ainda não se sabe é se estas pequenas cidades-polvo são particularmente comuns ou como começaram exatamente.

A cidade de Octopolis parece estar centrada em um objeto não identificado, com cerca de 30 centímetros de comprimento, feito pelo homem, mas não há nenhum objeto óbvio comparável na cidade de Octlantis, onde as criaturas parecem ter se instalado.

Em vez disso, a comunidade pode ter sido projetada em torno de pedras que atraíram os animais para a área, segundo os cientistas.

“Em ambos os locais, existiam características que acreditamos que podem ter tornado a congregação possível – ou seja, vários afloramentos rochosos do fundo do mar pontilharam uma área plana e sem traços característicos”, disse Stephanie Chanceler, uma das cientistas da equipe, da Universidade de Illinois.

David Scheel / Current Biology

Octlantis pode ser um lugar difícil para viver

Normalmente, os polvos apenas se reúnem para acasalar antes de seguirem caminhos separados novamente. Os cbiólogos acreditam que mais pesquisas precisam ser realizadas para entendermos o motivo de os polvos quererem se relacionar em locais como Octlantis.

Há abundância de comida nos dois locais, mas essas zonas são também atrativas para os predadores e, de acordo com as observações realizadas até agora, a Octlantis parece ser um lugar bastante violento e agressivo.

Uma das hipóteses aponta que esse tipo de assentamento de polvos sempre existiu, mas só agora estamos dotados de tecnologia e ferramentas necessárias para poder monitorá-los.

“Ainda não sabemos muito sobre o comportamento do polvo“, disse Chancellor. “Serão necessárias mais pesquisas para determinar o que estas ações podem significar”, concluiu.

Os polvos, essas criaturas misteriosas e extraordinárias, podem não ser exatamente extraterrestres que vieram para a Terra em ovos criopreservados – mas, aparentemente, sabem construir cidades.

Ciberia // ZAP

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