Nova onda de covid-19 atinge o Leste Europeu

Guillaume Horcajuelo / EPA

Uma nova onda de covid-19 se alastra pela Europa, sobretudo em países do Centro e do Leste, onde as taxas de imunização se mantêm mais baixas. A alta nos casos em vários países faz com que governos reimponham restrições e deixa em alerta o restante do continente.

A Rússia, que vem registrando há dias recordes no número de mortes devido ao coronavírus, agora decretou um feriado prolongado de uma semana para tentar conter o avanço da doença.

Na quarta-feira (20/10), o presidente Vladimir Putin anunciou que os dias entre 30 de outubro e 7 de novembro não serão considerados dias úteis, forçando os trabalhadores a ficarem em casa, embora os salários sejam mantidos. Regiões poderão estender o decreto, dependendo das situações locais.

Nesta quinta, o prefeito de Moscou, Serguei Sobyanin, por sua vez, anunciou que a capital russa voltará a impor uma quarentena total entre 28 de outubro e 7 de novembro, com apenas supermercados e farmácias podendo funcionar.

Na terça, Sobyanin já havia afirmado que cidadãos com mais de 60 anos não vacinados terão que ficar em casa por quatro meses. O gabinete do prefeito também estaria tentando forçar shoppings centers a conectarem suas câmeras de segurança a um sistema centralizado de reconhecimento facial que permita às autoridades impor o uso de máscaras em público, relatou o jornal Kommersant.

A Rússia, que se vangloriou por ter desenvolvido uma das primeiras vacinas contra a covid-19 do mundo, não conseguiu persuadir grande parte da população a se imunizar. No país da Sputnik V, apenas 32,5% da população está totalmente vacinada, segundo o site Our World in Data.

Não só a Rússia enfrenta resistência da população frente à vacina, mas também outros países do Leste Europeu. Na União Europeia, os Estados-membros com as menores taxas de imunização ficam na região, como Bulgária, Romênia, Croácia, Polônia, Letônia e Estônia.

Letônia

Com uma das taxas de infecção mais altas do mundo atualmente, a Letônia decretou um novo lockdown de pelo menos quatro semanas, com escolas, lojas e restaurantes fechados.

Cerca de um terço da população da Letônia fala russo. Um estudo da empresa de pesquisas SKDS apontou que apenas 46% desse grupo foi vacinado, em comparação com 62% dos letões étnicos.

Ucrânia

Já a Ucrânia, onde apenas 16% da população está vacinada, registou um recorde de 538 mortes e 15.579 novos infectados na terça-feira. Desde o início da pandemia, mais de 61 mil pessoas morreram oficialmente devido ao coronavírus no país.

A nação de 45 milhões de habitantes é proporcionalmente uma das que mais registram mortes por covid-19 na Europa. Por isso, o governo de Kiev decidiu voltar a adotar restrições em eventos públicos e salas de espetáculos.

Romênia

Na Romênia, as funerárias estão ficando sem caixões. No país, que teve a maior taxa de mortalidade per capta do mundo nesta semana, uma pessoa morre de covid-19 a cada cinco minutos. Apenas 36% dos adultos romenos estão vacinados, em comparação com 74% da média da União Europeia.

“Houve famílias que enterraram até quatro pessoas em duas semanas, e isso não é fácil”, disse o proprietário de uma funerária na cidade de Ploiesti. O empresário afirmou estar lutando para obter caixões suficientes para atender à demanda. “Recomendo a todos que se vacinem, senão vão acabar nas nossas mãos.”

Andi Nodit, gerente do hospital de emergência clínica Bagdasar-Arseni na capital romena, Bucareste, afirmou que “o tamanho e a gravidade da situação está além do que qualquer palavra possa expressar”. Segundo ele, esta quarta onda de covid-19 atinge o país “como um iceberg”, enquanto as ondas anteriores foram “um boneco de neve”.

Bulgária

A Bulgária é o país da União Europeia com menor índice de imunização: apenas 23,9% da população está com o esquema vacinal completo. Na terça-feira, o país registou quase 5.000 novas infeções em 24 horas, o maior número desde março. Além disso, 214 pessoas morreram de covid-19 em um único dia.

Por essa razão, o governo proibiu o acesso a espaços públicos fechados nesta semana para quem não apresentar comprovação da vacina, um teste negativo ou prova de recuperação da doença. As escolas em áreas com altas taxas de infecção terão que retomar o ensino on-line.

Polônia

O ministro da Saúde da Polônia disse na quarta-feira que “medidas drásticas” podem ser necessárias para conter um repentino aumento de infecções no país, embora nenhum novo bloqueio esteja sendo considerado.

Diante da duplicação do número de novos casos em 24 horas, ele propôs que a polícia passe a multar em vez de “simplesmente repreender os cidadãos que não cumprem as restrições”. A campanha de vacinação na Polônia está estagnada há alguns meses e apenas 52% dos poloneses têm o esquema vacinal completo.

República Tcheca

A República Tcheca também registrou um aumento acentuado do número de infectados, contabilizando, na terça-feira, 3.246 novas infecções em 24 horas, o que representa mais que o dobro dos casos diários na semana passada e é o maior número desde abril.

Para conter a disseminação da doença, o governo reintroduziu medidas restritivas, como o uso obrigatório de máscaras em locais de trabalho e escolas.

Sérvia

A Sérvia, onde apenas cerca de metade da população foi imunizada, passará a exigir passes sanitários para acesso a locais fechados, como restaurantes, bares e discotecas.

Croácia

Na vizinha Croácia, as infecções pelo coronavírus vêm aumentando, com mais de 3.000 novos casos em 24 horas – um acréscimo de 1.000 novos casos por dia em relação à média da semana passada.

O país tem uma taxa de vacinação de cerca de 50% da população adulta. Segundo a imprensa local, as pessoas começaram, na quarta-feira, a fazer filas nos locais de vacinação da capital, Zagreb, após a divulgação do aumento dos casos.

Reino Unido

No Reino Unido, onde as taxas de vacinação são altas, o novo surto está concentrado em jovens com menos de 20 anos não imunizados. No entanto, eles estão disseminando o vírus entre os pais, aumentando gravemente as hospitalizações.

Na terça-feira, foram 223 mortes por covid-19 em 24 horas, o maior número diário desde março.

O diretor-executivo da Confederação do NHS, Matthew Taylor, pediu na quarta-feira ao governo britânico que restabeleça restrições, em meio ao aumento contínuo de casos e consequente pressão sobre os hospitais, às vésperas do inverno.

Holanda

Outro país da Europa Ocidental que vive o ressurgimento da covid-19 é a Holanda, que registou aumento de 44% no número de novos infectados em relação à semana passada.

As autoridades sanitárias locais registaram 25.750 novos casos de covid-19 nos últimos sete dias, ante os 17.850 na semana anterior. O aumento aconteceu sobretudo nas regiões de maioria calvinista, onde as taxas de vacinação são muito mais baixas.

Ciberia // DW

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