“O que vai curar a economia é a vacinação”, diz economista do setor de comércio brasileiro

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reduziu a previsão de crescimento do setor mesmo com o início da vacinação. Para discutir a questão, a Sputnik Brasil conversou com Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, que explicou os fatores que influenciaram a redução.

Apesar da iminência do início da vacinação no Brasil, a CNC publicou, na sexta-feira (15), uma redução de sua previsão de crescimento do setor do comércio, em 2021, de 4,2% para 3,9%.

Para Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, a vacinação deve melhorar as vendas do setor em relação a 2020, mas o tempo para alcançar a imunização da população desacelera a previsão de crescimento. Segundo ele, a vacinação é fundamental para que o comércio retome o ritmo.

“O grande problema é que esse é um processo lento [a vacinação]. Não só no Brasil, mas em diversas regiões do mundo. A gente sabe que o que vai curar a economia, o consumo, de modo geral, e vai fazer com que a economia volte a crescer, vai ser a eficiência do processo de imunização. E esse é um processo lento mesmo”, afirma o economista em entrevista à Sputnik Brasil.

No domingo (17), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso emergencial das vacinas CoronaVac e Covishield no Brasil. O processo de vacinação começou em São Paulo no mesmo dia e se estendeu para alguns estados nesta segunda-feira (18), priorizando grupos vulneráveis.

Bentes afirma que o processo de recuperação da economia está diretamente ligado à capacidade de produção e distribuição da vacina nos países e explica que dois fatores causaram a revisão da previsão de crescimento do comércio brasileiro pela CNC.

“Primeiro, a gente teve o fim do auxílio emergencial, que foi tão importante para a surpreendente recuperação do varejo no ano passado, especialmente na segunda metade do ano, e a gente tem diante do recrudescimento da pandemia, a edição de novos decretos de fechamento de atividades consideradas não essenciais”, explica Bentes.

Desde o final de 2020, a pandemia avança em todo o Brasil, que voltou a registrar recordes de óbitos e casos de COVID-19. Em alguns locais, como na cidade de Belo Horizonte ou no estado de São Paulo, durante as festas, a multiplicação dos casos fez com que os governos decretassem o fechamento do comércio.

O caso mais recente é o do Amazonas, cujo sistema de saúde entrou em colapso na quinta-feira (14) com a falta de oxigênio nas unidades hospitalares.

Fábio Bentes recorda que os efeitos da pandemia sobre o comércio têm reflexos diretos sobre o desemprego no país, que segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está em níveis recordes – 14,6% da população.

“O comércio é a segunda atividade econômica que gera maior número de empregos, só fica atrás do setor de serviços. Mais de 20% da força formal de trabalho no país é empregada no comércio. Claro, se você tem um ritmo da atividade comercial mais fraco no início do ano, mais lento, isso faz com que as contratações se deem em um ritmo aquém do desejado”, aponta o economista-chefe da CNC.

Bentes explica ainda que o desempenho do comércio está ligado diretamente ao mercado de trabalho. Segundo ele, quanto mais pessoas empregadas, mais a renda do trabalhador flui para o setor, um fluxo que está sendo prejudicado também pelo avanço da inflação no final de 2020. Ainda segundo o IBGE, o IPCA registrou avanço de 1,35% em dezembro do ano passado.

“A gente pode dizer que o varejo pode até comemorar o ano de 2020, porque as perspectivas antes do segundo semestre eram altamente negativas. […] Só que a gente, infelizmente, não pode garantir que esse cenário de recuperação esteja consolidado, porque os números da pandemia são muito preocupantes ainda. O que a gente precisa é implementar um sistema eficiente, um programa eficiente, de imunização da população para que a gente não incorra em novas perdas ao longo dessa primeira metade de 2021″, avalia.

Ciberia // Sputnik

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