Para defensor público de Pernambuco, mulher de minissaia pode ser culpada por assédio

Em uma entrevista concedida a uma rádio, o Defensor Público Geral de Pernambuco, Manoel Jerônimo, afirmou que o fato de uma mulher vestir uma minissaia pode ser determinante para a absolvição de um agressor em casos de assédio sexual.

A declaração de Manoel Jerônimo, que também é vice-presidente do Colégio Nacional de Defensores Gerais, foi dada em 11 de janeiro em uma entrevista para uma rádio local sobre estupro.

Ele declarou que “um local de muita movimentação, uma mulher estar de minissaia, fica sujeita a uma pessoa interpretar que ela está seduzindo ou por ventura dando oportunidade para uma paquera, um namoro e quem sabe até algo mais sério”. De acordo com o defensor, seria importante então que a mulher demonstrasse, “de forma simbólica, que não está ali para nenhum tipo de paquera e as vestes demonstram muito isso”.

Após a entrevista, a Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares manifestou-se, em nota, repudiando as declarações do defensor.

“Diferentemente do que afirma o Defensor Público ao declarar que as vestes servem como ‘simbolismo’ da vontade da mulher – anulando a autonomia e capacidade das mulheres falarem –, é fundamental que se ensine aos meninos e homens que não há outra forma para se saber sobre a vontade da mulher além da afirmação positiva, consciente e sóbria sobre seus desejos e suas vontades. Não é não e a ausência de sim também é não”, diz a nota.

No documento, os advogados criticam a culpabilização da vítima, considerando que “é apenas mais uma das várias ferramentas de manutenção do sistema do patriarcado, o qual exerce controle territorial sobre os corpos das mulheres (…)”.

“O liberalismo penal reforçado pelo Defensor Público Geral de Pernambuco se funda em vieses claramente patriarcais e opressores e revela o quão entranhada nas instituições públicas a cultura do estupro ainda está”, afirma a nota.

Em nota enviada ao site Justificando, Manoel pediu desculpas às mulheres por falas “fora de contexto”. “Em nenhum momento meu objetivo foi direcionar a mulher a culpabilidade por qualquer crime que ela venha a ser vítima”, explicou.

Ciberia // Hypeness

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2 COMENTÁRIOS

  1. Entendo que o homem está sendo muito criminalizado. O assédio existe em ambos os lados, embora, acredito, que pela iniciativa feminina o assédio é possível ser em menor quantidade, mas as provocações são em maior quantidade que da parte do masculina.
    Tem muitas mulheres que usam as denominações criminosas em proveito próprio. Existem vários casos, inclusive acusações de pedofilia, denunciadas pela mulher, para impor condenação ou adquirir vantagem de homens. É só assistir as senas de reprodução da criminalidade nos Estados Unidos.
    Quando eu era solteiro, universitário e tinha 22 anos quando estava estagiado em uma empresa. A secretária do departamento trabalhava em minha frente. A mesa da secretária não tinha o anteparo que impedisse a visão de suas pernas. A secretária tinha o hábito de manter as pernas escancaradas, quando estava vestindo saia, talvez pelo calor ou para provocação. Um dia ela, vestindo saia, me acusou de estar olhando as suas entre coxas abertas. Eu era novo no estágio e fiquei muito incomodado com a conduta da secretária, além de que, não estava olhando para as partes intimas que ela queria mostrar.
    Isto é provocação e assédio para aparecer diante dos colegas e da chefia, como a mulher mais atraente e desejada no mundo, pois ela era casada e tinha dois filhos.
    Vamos combater os assédios de ambos os lados, tanto da mulher quanto do homem, mas não se deve criminalizar o homem, somente por ser homem, para que a mulher se faça de vítima, mas, na realidade, ela é uma opressora.

  2. É muita frescura e muito mimimi, sim!
    O promotor declarou que em “um local de muita movimentação, uma mulher estar de minissaia, fica sujeita a uma pessoa interpretar que ela está seduzindo ou…”
    Os abestados de plantão não leram direito? O promotor disse que, nessas circunstâncias, a mulher “fica sujeita” a interpretações. Seria análogo a se dizer que, numa concentração de pessoas, uma mulher trajando um vestido longo e pesado, todo fechado, estaria sujeita a ser interpretada como pessoa recatada, conservadora e absolutamente não disposta a levar uma cantada, mesmo que ela estivesse ali ardendo de paixão carnal.
    Gente estúpida! É falta de assunto importante para ocupar a mente?

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