Ian Langsdon / EPA

Incêndio na Catedral de Notre-Dame de Paris
O primeiro alerta do incêndio que começou na cobertura da Catedral de Notre-Dame, em Paris, no último dia 15, não foi identificado por conta de um “erro humano”, segundo informações da emissora francesa “BFM TV”, afirmando que a pessoa responsável verificou o alarme no local errado.
O primeiro alarme soou às 18h20 (hora local), quando um funcionário da empresa de segurança verificou o alerta, sem encontrar nada. O segundo tocou vinte minutos depois, mas o fogo já havia se espalhado e era tarde demais para conter seu avanço pela cobertura e agulha, que foram reduzidas a cinzas, apesar dos esforços dos bombeiros.
De acordo com esta última informação da “BFM TV“, os investigadores verificaram que o sistema de alarme funcionou sem problemas, mas foi uma falha humana que impediu um primeiro reconhecimento do perigo.
Agora, tentam estabelecer se o computador indicou o alerta no local errado, se houve uma falha de comunicação ou se a pessoa não compreendeu a mensagem, embora a empresa defenda que o funcionário apenas seguiu as indicações do sistema.
“Teríamos ganho meia hora, o que é enorme. Poderíamos seguramente ter conservado a agulha”, disse à “BFM TV”, o conservador geral de Patrimônio, Jacques Pérot.
Às 18h51 (hora local), os dois agentes de segurança alertaram os bombeiros que chegaram em cerca de dez minutos, mas encontraram alguns hidrantes com pouca força para impedir um incêndio que já tinha grandes proporções.
A instalação anti-incêndios estava projetada para apagar um incêndio no início, mas com os atrasos registrados na localização do mesmo, se tornou grande demais, revelou ontem o jornal “Le Canard Enchainé”.
Os investigadores determinaram que os sinos da agulha soaram no dia do incêndio às 18h04 local (13h04, em Brasília) para a convocação à missa prevista para essa hora.
Doze minutos mais tarde, houve o primeiro alerta de detecção de fumaça no posto de segurança da catedral e cinco minutos depois soou o primeiro alarme de incêndio.
Nesse momento, foi iniciada a evacuação dos fiéis, mas como os dois oficiais de segurança enviados a verificar as chamas não as encontraram, pensaram que era um falso alerta e pediram que os fiéis ficassem.
Bitucas em andaimes onde começou incêndio
A polícia francesa encontrou sete bitucas de cigarro nos andaimes de restauração onde começou o incêndio que devastou parte da Catedral de Notre-Dama de Paris no último dia 15, revelou nesta quarta-feira o jornal “Le Canard Enchaîné”.
Alguns operários que trabalhavam na restauração da agulha da catedral admitiram aos investigadores que, descumprindo as ordens de segurança, fumavam nos andaimes, acrescentou a publicação. Apesar disso, os investigadores trabalham mais com a hipótese de que o incêndio começou devido a um curto-circuito, segundo o jornal.
Nesse sentido, foram reveladas diversas irregularidades nas instalações elétricas, especificamente no cabo para alimentar um jogo de sinos que estava na agulha e outro sob a mesma, e que percorria a viga de madeira da catedral.
Esse dispositivo foi autorizado, de forma provisória, em 2012, a pedido dos clérigos de Notre-Dame durante as obras de restauração dos campanários principais, com o objetivo de eletrificar esses sinos para que os originais pudessem ser substituídos. No entanto, segundo o “Le Canard”, este nunca foi substituído, continuava sendo utilizado e sobre ele foi instalado o andaime para a restauração da agulha.
// EFE