Procurador Robert Mueller diz que não isentou Trump em investigação

The White House / Wikimedia

O Procurador Especial do Departamento da Justiça dos EUA, Robert Mueller

Diante do Congresso americano pela primeira vez, Robert Mueller afirma que Trump pode ser indiciado ao deixar o cargo e ressalta que interferência russa continua ocorrendo.

O ex-procurador especial Robert Mueller, que investigou a interferência russa nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, reiterou nesta quarta-feira (24/07) diante do Congresso americano, que não isentou o Presidente Donald Trump e garantiu que, após deixar a Casa Branca, o governante pode ser indiciado por crimes relacionados com a chamada “trama russa”.

Diante de dezenas de câmeras de televisão em uma audiência no comitê judicial da Câmara dos Representantes dos EUA, o democrata Jerry Nadler perguntou a Mueller se sua investigação isentou Trump de qualquer crime, o ex-promotor especial respondeu com um breve “não”.

O Presidente não foi isentado dos atos que supostamente cometeu”, acrescentou Mueller em seguida. Questionado por Nadler, Mueller disse também que Trump pode ainda enfrentar um julgamento quando deixar a Casa Branca.

Ao longo de mais de quatro horas, ele foi confrontado por democratas com declarações do seu relatório da investigação. O procurador afirmou que o indiciamento do presidente nunca foi uma opção e destacou que normas do Departamento de Justiça estabelecem que um presidente não pode ser acusado por um crime enquanto está no poder.

No relatório, no entanto, escreveu que se tivesse “certeza” que Trump “claramente não tinha cometido um crime de obstrução à Justiça”, teria relatado, mas não o fez, algo que os democratas interpretam como um sinal do mau comportamento do Presidente.

Com relação à interferência russa, Mueller afirmou que o caso de 2016 não foi uma tentativa única e que a ingerência continua acontecendo.

Em maio de 2017, Mueller começou sua investigação sobre a suposta ingerência russa nas eleições de 2016 e, quando encerrou seu trabalho em março deste ano, entregou ao Departamento de Justiça dos EUA um relatório no qual resumia os resultados da sua averiguação.

Ele concluiu que o Kremlin tentou influenciar as eleições para favorecer Trump, mas afirmou que não havia provas suficientes para determinar que houve uma “conspiração” entre o entorno do atual presidente e Moscou para interferir no processo eleitoral.

Sem mencionar a possibilidade de um impeachment, Mueller deixou em aberto a hipótese de o Congresso querer aprofundar a possibilidade de ter havido obstrução à Justiça, o que poderia justificar o processo para a destituição de Trump.

Mueller começou seu testemunho defendendo a “integridade” da sua investigação e assegurando que sua equipe atuou com “senso de justiça”, tentando trabalhar da maneira “mais rápida possível” para que a investigação “não durasse um dia mais que o necessário”.

Durante os quase dois anos da sua investigação, Mueller se manteve em silêncio e só falou com a imprensa em uma ocasião para ler um comunicado. Esta foi a primeira vez que Mueller respondeu a perguntas diretas dos legisladores.

Do lado republicano, a estratégia foi a de criticar a investigação, acusando-a de ter sido politizada e procurando associá-lo a um esforço para perseguir Trump. Os parlamentares republicanos questionaram Mueller sobre a colaboração dada pela Casa Branca à investigação, tentando provar que o procurador levou a sua tarefa até o fim, podendo obter os dados de que necessitava.

Ao longo da audiência, o procurador negou ainda ter sido candidato a diretor do FBI, desmentindo a versão de Trump, que apresentou a sua recente candidatura como prova de conflito de interesses para investigar o caso russo.

Após o fim da audiência, a Casa Branca disse que o evento foi uma catástrofe para os democratas. Já Trump afirmou que foi um grande dia para os republicanos. “Não havia defesa para essa brincadeira ridícula, essa caça às bruxas“, ressaltou o Presidente a jornalistas, repetindo o termo acusatório que usou ao longo da investigação.

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