(cv) ABC News

Paul Manafort
O procurador especial que investiga a suposta interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, Robert Mueller, acusou nesta segunda-feira (4) o ex-chefe de campanha de Donald Trump de tentar manipular testemunhas no caso aberto contra ele por crimes financeiros, pedindo ao juiz que revogasse o regime de prisão domiciliar concedido a ele.
Os procuradores que trabalham para Mueller asseguraram em documentos judiciais que Manafort tentou entrar em contato com possíveis testemunhas do caso por telefone e através de um serviço de mensagens criptografadas.
Para os procuradores, esses contatos representam uma violação da liberdade condicional concedida a ele, depois de se entregar em outubro de 2017, pelo que pediram ao juiz a revogação da prisão domiciliária e que o mande para a cadeia até o julgamento.
Nos documentos apresentados ao juiz, os procuradores relatam pelo menos um caso de uma testemunha que informou o FBI de que Manafort o contatou para discutir seu testemunho.
Embora o processo seja produto da investigação de Mueller sobre a suposta interferência russa nas eleições presidenciais, os crimes alegados contra ele não estão relacionados com sua atuação como diretor da campanha, entre junho e agosto de 2016.
Segundo a acusação, Manafort trabalhou entre 2006 e 2017 para governos estrangeiros sem comunicar o governo dos EUA, nem o tesouro público, assim como dita a lei.
Manafort teve de renunciar ao cargo depois de ter sido descoberto pelas autoridades que tinha ocultado um pagamento de 12,7 milhões de dólares que recebeu por assessorar o presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich.
No domingo (3), Trump questionou o FBI por não ter sido informado de que investigava Manafort. “Sendo uma das duas pessoas que podiam chegar a ser presidente, por que o FBI ou o Departamento de Justiça não me disseram que estavam investigando Paul Manafort em segredo? Deveriam ter me dito“, afirmou.
O início do julgamento de Manafort, que se declarou inocente das acusações, está previsto para o dia 24 de julho, no estado da Virgínia.