Rússia está usando reconhecimento facial contra a COVID-19

Moscou, a capital russa, está usando um sistema de câmeras com reconhecimento facial para combater a disseminação do vírus da COVID-19. O governo local recorreu à tecnologia para reconhecer, multar e até prender pessoas que estão quebrando a quarentena no país.

Segundo levantamento da agência de notícias AFP, autoridades reconheceram afetados e possíveis contaminados pela doença e os submeteu a um regime de isolamento por 14 dias. Com isso, catalogou o endereço, passaportes e telefone destas pessoas, principalmente as que viajaram para alguma região com surto.

Isso é possível por um conjunto de 170 mil câmeras espalhadas por Moscou. No total, 100 mil já são capazes de reconhecer automaticamente o rosto das pessoas filmadas. As outras 70 mil também são usadas para monitoramento, mas não automático. Com isso, o governo local disse já ter identificado perto de 200 pessoas que estavam quebrando a quarentena imposta a elas.

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa NtcheLab, com sede na Rússia. Segundo o CEO, Alexandre Minin, em entrevista para a agência de notícias, a probabilidade de erro é de 1 em 15 milhões. Ainda, ele defende que o sistema é capaz de identificar uma pessoa apenas pela silhueta, com eficácia de 80%.

A tecnologia foi implementada no país para a Copa do Mundo de 2018 e depois ampliada no início deste ano, antes mesmo da pandemia chegar ao território russo. Foram necessários 10 anos para que todas as câmeras fossem colocadas na cidade.

Além das ruas, o governo também disse que está acompanhando a situação de mercados e farmácias para evitar a falta de produtos nas prateleiras.

Leis abertas

Um dos pontos que permitiram que o governo local tivesse facilidade em monitorar a população é que não há no país uma legislação como a Lei geral de Proteção de Dados, aqui no Brasil. Com isso, a prefeitura consegue implementar um mecanismo para vigiar a população, sem restrições tão severas de uso de dados dos usuários.

Entretanto, isso não exclui a possibilidade de críticas. Um dos entraves de popularização, segundo Minin, é exatamente o medo de que o governo utilize o reconhecimento facial parra vigiar rivais políticos e restringir a opinião pública.

O CEO defende a sua tecnologia dizendo que isso não é possível, pois as informações são salvas em lugares diferentes. Ou seja, a imagem de uma pessoa e o banco de dados ligados a ela estão em servidores separados. Assim, só há a união das duas informações quando há exigência do governo.

Em 2019, uma advogada e ativista chamada Aliana Popova prestou queixa contra o governo pelo uso do sistema. Ela participava de uma manifestação autorizada na cidade e disse que o mecanismo de reconhecimento facial havia sido colocado nos detectores de metal pelos quais as pessoas tinham que passar. Contudo, a denúncia da ativista não teve força no país.

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