Toxinas e falta de nutrientes na gravidez podem levar criança ao autismo

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Usando evidências encontradas em dentes de bebê, pesquisadores do Laboratório de Ciências da Saúde Ambiental Senador Frank R. Lautenberg e do Centro de Pesquisa e Tratamento de Autismo Seaver do Hospital Monte Sinai, ambos nos EUA, descobriram que as diferenças na absorção de elementos tóxicos e na falta de nutrientes essenciais durante o segundo e terceiro trimestres de gravidez e nos períodos pós-parto precoces estão associados ao risco de desenvolver Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Em um estudo publicado Nature Communications, as janelas de desenvolvimento críticas para as discrepâncias observadas variaram para cada elemento, sugerindo que a desregulação sistêmica de poluentes ambientais e elementos dietéticos pode desempenhar um papel importante na TEA.

Além de identificar fatores ambientais específicos que influenciam o risco, o estudo também identificou períodos de tempo de desenvolvimento quando a desregulação elementar representa o maior risco de autismo na vida.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o TEA ocorre em 1 de cada 68 crianças no país. No Brasil, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas tenham autismo. As causas exatas do transtorno são desconhecidas, mas pesquisas anteriores já indicaram que as causas ambientais e genéticas provavelmente estão envolvidas.

Embora o componente genético tenha sido intensamente estudado, os fatores ambientais específicos e os estágios da vida quando tais exposições podem ter o maior impacto no risco de desenvolver autismo são mal compreendidos.

Pesquisas anteriores indicam que a exposição fetal e infantil a metais tóxicos e deficiências de elementos nutricionais estão ligadas a vários desfechos de desenvolvimento adversos, incluindo deficiência intelectual e problemas de linguagem, atenção e comportamentais.

Muito chumbo, pouco zinco e manganês

“Encontramos divergências significativas na captação de metais entre crianças afetadas por TEA e seus irmãos saudáveis, mas somente durante períodos discretos de desenvolvimento”, aponta Manish Arora, diretor de Biologia de Exposição no Laboratório de Ciências da Saúde Ambiental Senador Frank Lautenberg no Mount Sinai e vice-presidente e professor associado do Departamento de Medicina Ambiental e Saúde Pública da Icahn School of Medicine do Monte Sinai.

“Especificamente, os irmãos com TEA tiveram uma maior absorção de neurotoxinas do chumbo e reduzidas absorções de elementos essenciais de manganês e zinco, durante fase avançada da gravidez e os primeiros meses após o nascimento, como evidenciado através da análise de seus dentes de bebê. Além disso, os níveis de metal aos três meses após o nascimento mostraram-se preditivos da gravidade do autismo oito a dez anos depois na vida”, explica Arora.

Para determinar os efeitos que o momento, a quantidade e a subsequente absorção de toxinas e nutrientes têm no TEA, os pesquisadores do Monte Sinai utilizaram biomarcadores de matriz dentária validados para analisar dentes de bebê coletados de pares de gêmeos idênticos e não idênticos, dos quais pelo menos um teve um diagnóstico de TEA.

Eles também analisaram dentes de pares de gêmeos normalmente desenvolvidos que serviram como grupo de controle do estudo.

Durante o desenvolvimento fetal e infantil, uma nova camada de dente é formada a cada semana, deixando uma “impressão” da composição microquímica única em cada camada, que fornece um registro cronológico da exposição.

A equipe do laboratório Lautenberg usou lasers para reconstruir essas exposições passadas ao longo de marcas incrementais, semelhante ao uso de anéis de crescimento em uma árvore para determinar o histórico de crescimento da árvore.

“Nossos dados mostram um caminho potencial para a interação entre genes e o meio ambiente”, diz Abraham Reichenberg, professor de psiquiatria e medicina ambiental e saúde pública na Icahn School of Medicine no Monte Sinai.

“Nossas descobertas enfatizam a importância de um esforço colaborativo entre geneticistas e pesquisadores ambientais para futuras pesquisas sobre a relação entre exposição a metais e TEA para nos ajudar a descobrir as causas profundas do autismo e apoiar o desenvolvimento de intervenções e terapias eficazes”.

Estudos adicionais são necessários para determinar se as discrepâncias na quantidade de certos metais e nutrientes são devidas a diferenças a quanto um feto ou criança está exposto a eles ou devido a uma diferença genética na forma como uma criança recebe e processa esses metais e nutrientes.

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