Um provérbio em inglês diz que a “má sorte sempre vem três vezes” e foi exatamente o que aconteceu com Dylan McWilliams, um jovem de 20 anos do Colorado, nos EUA.
O esportista sobreviveu na semana passada ao terceiro ataque violento de animais – de um tubarão, quando fazia bodyboard na costa do Havaí. “É muito assustador”, disse Dylan McWilliams à BBC, na ilha havaiana de Kauai. “Acho que não tenho muita sorte, mas sim sorte no azar.”
McWilliams aproveitava as ondas do Pacífico na manhã de quinta-feira (19) quando sentiu algo bater na perna. “Olhei e vi o tubarão debaixo de mim. Comecei a pontapeá-lo – sei que o acertei pelo menos uma vez – e nadei até a praia o mais rápido que pude”, explicou.
Preocupado com o rastro de sangue que deixava, o esportista disse à imprensa local após o ataque: “Eu não sabia se tinha perdido metade da perna ou se era só um arranhão”.
O tubarão, que se acredita ser da espécie tubarão-tigre e que tinha aproximadamente 2 metros de comprimento, deixou marcas de dentes distintas em uma das pernas do rapaz, que precisou de sete pontos.
Entusiasta da vida ao ar livre, McWilliams fazia um mochilão pelos EUA e pelo Canadá nos últimos anos, e financiava suas viagens trabalhando aqui e ali.
Seu avô foi a primeira pessoa a lhe ensinar técnicas de sobrevivência, aos três ou quatro anos de idade, e daí nasceu seu amor pela vida ao ar livre. Dylan aproveitava as aprendizagens para ganhar dinheiro, ensinando técnicas de sobrevivência por onde passava.
“Tenho ensinado crianças e outras pessoas a sobreviver no deserto e viver da terra como os exploradores faziam”, disse McWilliams, que é fã da série Crocodile Hunter.
Em julho passado, em uma viagem de campismo pelas florestas do Colorado, o esportista dormia ao ar livre quando, às 4 da manhã, foi acordado com a cabeça presa nas mandíbulas de um urso.
“O animal me agarrou pela parte de trás da cabeça, e eu reagi, e tentei acertar seus olhos até ele me soltar”, descreve. Seus amigos acordaram com a confusão e conseguiram espantar o urso de 136 quilos.
As autoridades do parque capturaram o animal na manhã seguinte e, depois de testes confirmarem que o sangue do rapaz estava em suas garras, o urso foi abatido.
McWilliams ficou com uma cicatriz depois de levar nove pontos na parte de trás da cabeça, que provocavam dor quando tocados, mas a experiência não foi suficiente para desencorajar seu amor pelo ar livre. “Sempre amei animais e passei o maior tempo que pude com eles”, disse o mochileiro.
Dylan atribui esses incidentes perigosos ao fato de estar no lugar errado na hora errada. “Eu não culpo o tubarão, não culpo o urso, nem a cascavel”, diz fazendo referência a um ataque de cascavel que sofreu há menos de três anos, durante uma trilha em Utah, nos Estados Unidos.
McWilliams conta que, na ocasião, descia um terreno quando pensou ter pisado num caco. “Mas não conseguia ver, e me deparei com uma cascavel toda enrolada“.
Então com 17 anos, McWilliams pediu para não ser levado para o hospital porque achava ter sofrido uma mordida não venenosa. “Mas havia um pouco de veneno, e fiquei doente por alguns dias”, disse. “Temos que respeitar os limites dos animais, mas não acho que eu esteja invadindo o seu espaço ou provocando os ataques – simplesmente aconteceram”.
O rapaz está agora ansioso para que suas feridas cicatrizem e possa voltar às ondas.
McWilliams “espera não ter” outro encontro do mesmo tipo, mas reconhece que riscos sempre existirão. “Eu passo a maior parte do tempo fora, com animais, por isso, acho que tudo pode acontecer.”
Ciberia // ZAP