YouTube vincula anúncios em vídeos controversos sobre mudanças climáticas

Uma notícia deixou algumas empresas anunciantes do YouTube surpresas. Segundo estudo feito pela Avaaz, a plataforma de vídeos da Google tem vinculado anúncios de grandes companhias em vídeos que têm como propósito desinformar as pessoas sobre mudanças climáticas.

Os vídeos identificados tiveram 21,1 milhões de visualizações e podem ser sugeridos aos usuários após uma pesquisa por “mudança climática”, “aquecimento global”, “teoria da conspiração” ou “manipulação climática”.

De acordo com o pessoal do The Verge, o estudo encontrou anúncios de 108 marcas em vídeos que continham informações incorretas sobre mudanças climáticas. Empresas como Samsung, Uber, Nintendo, Showtime, Harley Davidson e Warner Bros estavam entre elas.

Anúncios para grupos ambientais, incluindo o Greenpeace e o World Wildlife Fund, também apareceram nos vídeos. A Avaaz diz que 10 anunciantes, incluindo a Samsung e os grupos ambientalistas, disseram desconhecer o fato de que seus anúncios apareciam nesses vídeos.

O estudo também afirma que a plataforma promove esses vídeos na caixa “a seguir”, mas as evidências são menos claras. Em um comunicado enviado ao The Verge, o YouTube questionou a metodologia da pesquisa, que usava um método indireto para avaliar as recomendações em vídeo, e disse que sua plataforma prioriza “vozes com autoridade” em tópicos propensos a desinformação, como as mudanças climáticas.

Ainda não há forma clara de combate a esse problema

O YouTube luta há algum tempo para encontrar um equilíbrio entre manter uma plataforma aberta e mantê-la segura para espectadores e anunciantes.

No passado, as empresas interromperam os gastos com anúncios depois de saberem que seus comerciais eram exibidos em vídeos que apresentavam discursos de ódio ou comentários agressivos e de cunho sexual sobre crianças. Isso levou a plataforma a impor regras mais estritas aos criadores, limitando em quais vídeos eles podem ganhar dinheiro e alterando seus algoritmos de promoção.

O estudo da Avaaz mostra o quão difícil é encontrar esse equilíbrio. Três dos principais vídeos de negação de mudanças climáticas destacados são da Fox News e PragerU. Vários vídeos questionam se as emissões de gases de efeito estufa estão levando a temperaturas globais mais altas – uma conclusão amplamente aceita entre os pesquisadores do clima e a comunidade científica em geral.

E não são apenas vídeos de YoutTubers e de canais de TV que estão recebendo essas propagandas. Materiais feitos por políticos também são anexados à propagandas das empresas citadas acima, mesmo que o assunto não tenha nada a ver com elas.

Ao destacar os anunciantes que estão sendo alinhados, a contragosto, a esses pontos de vista extremistas, a Avaaz espera aumentar a pressão necessária no YouTube para fazer uma alteração. O objetivo da entidade com este último estudo não é proibir vídeos de negação de mudanças climáticas, mas fazer com que o YouTube pare de exibir anúncios e recomendá-los aos espectadores.

“Não se trata de remover conteúdo, não se trata de sancionar diferentes canais ou meios de comunicação”, diz Nell Greenberg, diretor de campanha da Avaaz que supervisionou o estudo. “Isso significa apenas que, se houver informações factualmente imprecisas no vídeo, o YouTube não deve oferecer publicidade gratuita”.

No momento, os anunciantes têm a opção de impedir que seus anúncios sejam exibidos em vídeos que discutem mudanças climáticas. Mas eles não têm a opção de aparecerem apenas em vídeos precisos sobre mudanças climáticas – é tudo ou nada.

“Muitas marcas querem seus anúncios em vídeos de mudanças climáticas. São organizações ambientais ou que fazem muito pela sustentabilidade”, diz Greenberg. “Eles não querem anúncios em exibição em vídeos com informações imprecisas e que não estão disponíveis para eles”.

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